O vento batia violentamente nas janelas e as árvores "choravam" à sua passagem.
Eu escrevia para aliviar a minha alma, até que adormeci finalmente.
Tinha um vestido cai-cai preto de cauda vestido. Olhei à minha volta, estava tudo escuro e a única luz que havia era à base de uma tocha. Peguei nela e segui escadas abaixo.
Percorri um grande corredor que me levava até uma ponte de pedra.
A ponte era adornada por símbolos, estátuas e colunas de mármore.
Sigui em frente e entrei numa sala em ruínas, mas que fora preparada por alguém para que eu a encontrasse exactamente desta maneira.
Estava escura, à medida que fui andando a sala iluminou-se.
O chão estava coberto de pétalas de rosas vermelhas. Segui-as...
Foram dar a um piano preto de cauda, que continha lá uma partitura, e uma rosa vermelha com um laço no cale.
Olhei em volta e ali estava também o meu violino sobre uma superfície tapada com um pano de veludo preto.
O salão não tinha janelas, onde deveriam estar as janelas estavam buracos nas paredes com cortinados pretos velhos a voar ao sabor do vento.
Segui até ao piano, sentei-me, observei a rosa e tomei bem atenção à partitura que lá tinha sido colocada.
Era a música que ele me dedicara há alguns anos atrás, naquela em que foi a última vez que visitámos aquele palácio que hoje em dia me chama, como quem diz "Porque é que não me vens ver? Tenho saudades tuas.". Desejo lá ir, eu sei que tenho de ir, mas quando, isso é ainda uma incógnita.
Comecei a tocar, aquela que fora a nossa música.
As lágrimas surgiram de surpresa, mas era tarde de mais. Não conseguia parar de tocar. Era uma necessidade, como respirar para viver.
Cada nota me mostrava um sorriso, um olhar, uma caricia.
A música mostrava-me tu como se nunca tivesses realmente partido.
Um violino começou a tocar, fazendo a música ganhar mais vida.
Olhei para trás sem conseguir parar de tocar e ali estavas tu.
Olhaste para mim com o teu lindo sorriso, aquele que jamais deveria ter sido apagado.
Os pássaros voaram para fora, cantando e elevando a nossa melodia para o mundo exterior.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
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2 comentários:
Que lindo texto mana! Dos melhores que já li!!!
Sem sombra de dúvida, eu delirei com este texto. O final foi maravilhoso.
A melhor frase de acabamento, tudo no devido lugar. Adorei totalmente. Faz mais destes pleasseeeee.
Olá maninha.
Quando escrevi este post as palavras saiam como se tivessem vida própria. Uma corrida até ao fim.
É preciso viver para se escrever e é exactamente isso que faço.
Aqui pode ser apenas um texto mas é uma realidade. Este santuário existe e apenas quem o conheçe consegue lá entrar - Eu.
Cada acontecimento e cada passo que dou enriquece-o mais. Quem sabe se dentro de algum tempo não existirá algo mais nesse meu refugio que me chama, que me acolhe e que me ampara o sofrimento. O mais simples olhar ou um simples sorriso muda tudo.
Irei com certeza escrever mais posts deste género.
Obrigada pelo teu comentário kida.
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