Por vezes sinto que tudo isto não passa de um sonho e que vou acordar para a realidade, mas a verdade é que o sonho é a própria realidade.

domingo, 14 de outubro de 2012

Para ti

Naquele dia de inverno procurei afastar-me da rotina.
Andei sem rumo pelas calçadas da cidade apenas dizendo aos meus pés "levem-me para onde quizerem".
Passei por ruas que não me consigo lembrar, vi montras enquanto ouvia música no meu ipod, e decidi ir para fora. Fui para o pontão ver os barcos.
A maré tinha subido, os barcos baloiçavam com o vento e com a ondulação da água, no entanto eu não conseguia deixar de pensar em ti.
Eu não conseguia parar de ouvir aquela música que me faz chorar sempre que a oiço, pois é assim que me sinto e não consigo fazer nada para mudar isso.
O céu ficou negro e pouco depois começou a chover. Nem quis saber se chovia, eu só te via à minha frente.
Desejei que estivesses ali comigo, desejei sentir o teu toque, o teu calor, os teus lábios...
Tirei um caderno e comecei a escrever-te este texto, pois apesar de não te ter ao meu lado, eu sei que um dia o lerás.
Escrever é uma forma de te trazer até mim, de reviver os bons momentos, voltar a ouvir conversas, sentir os teus lábios nos meus, o toque das tuas mãos na minha pele...
Fiquei por ali algum tempo a contemplar as nossas fotografias e videos, as nossas memórias.
No momento em que me fui embora apareceu um homem muito parecido contigo, a mesma estrutura fisica, o cabelo, a t-shirt branca, mas não eras tu.
Naquele momento fiquei cheia de esperanças que tivesse chegado de vez o dia que tanto espero.
Terá sido um sinal?

P.S.: Amo-te!

A Noite

A noite é misteriosa, inquietante, cheia de sons que marcam o compasso do tempo lentamente.
Escuto os sons atentamente, ao longe oiço vozes de crianças, adultos a sorrir e a conversar, mas o som que predomina é o som dos carros. Os carros passam a toda a hora.
O vento toca docemente na minha pele, é suave e quente à sua passagem mas por vezes revoltasse e fica frio, gélido e severo.
As árvores são o aconchego perfeito, tapam-me, cobrem-me com os seus ramos cheios de folhas que caiem com o vento. Estão secas tal como a minha alma quando tento escrever.
O céu é belo, tão belo que parece coberto de diamantes, safiras e rubis. Levanto a minha mão numa tentativa inutil de tentar tocar nas estrelas, de sentir o seu calor, a sua textura. Fecho os olhos e na minha mente consigo tocar, é pequena e muito quente, queima a mão.
Os aviões avançam no céu, tocam as nuvens e as estrelas, quem me dera saber voar.
Voar para longe daqui e seguir em frente com o que realmente importa.
Voar para estar com quem me ama, voar para ser feliz.
Porque nesta noite o que existe é o silêncio e todo o resto é a solidão.

Lacunas

Por vezes vemos a nossa vida a passar lentamente e outras vezes é como se andassemos a 1000 por hora e só nos damos conta disso quando olhamos para trás e percebemos que tudo correu depressa de mais e não há forma de voltar atrás.
É isso mesmo o que sinto. Quando olho para trás vejo que as coisas acontecem depressa de mais e que muitas delas desaparecem como se fossem um simples suspiro.
Quantas vezes não olhamos para trás e pensamos "se fosse hoje teria vestido aquela vestido ou usado aquela maquilhagem", ou "se fosse hoje não teria dito X mas agido logo na hora".
É... isto acontece-me muitas vezes.
Nada acontece por acaso e isto deixa lacunas nas nossas vidas.
Será que haverá um dia em que posso dizer que concretizei o sonho dos sonhos?
Será que haverá algum dia que mude tudo e nós conseguimos segurar o nosso futuro, o nosso caminho?
É claro que as coisas não acontecem por milagre mas será que com muito esforço e empenho elas se concretizam? Espero bem que sim. Pelo menos podemos dizer que fizemos por nós e não deixamos lacunas na nossa vida, mas preenchemos os espaços vazios com o melhor que temos.