Por vezes sinto que tudo isto não passa de um sonho e que vou acordar para a realidade, mas a verdade é que o sonho é a própria realidade.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Apanhados

A manhã estava quente, com o céu azul sem nuvens. O dia propicio para a "pesca".
Tentaste encontrar-me, mas encontraste o vazio.
Tentaste perseguir-me, mas em vão.
As tuas manhas são cada vez mais perversas e descabidas neste teu jogo sujo que inventaste com todo o teu amor e carinho.
Este jogo que fora criado por ti e pela tua querida cyber mentira, que alega e julga quem nunca conheceu na vida, começa a ter agora uns novos contornos nessa tua vida mesquinha cheia de mentiras, conspirações e enleios.
Enleios que criaste e os alimentaste com toda a tua fé, demonstrando assim a tua total burrice crónica.
Para mim tu és um Zé ninguém. Um ser telecomandado por outrem que se acha muito sábia ao ponto de pesquisar a vida das pessoas, quando no fundo essa pessoa nem sequer se conhece a si própria.
Pensas que somos isto e aquilo, mas na realidade estou-me nas tintas com o que pensas ou deixas de pensar. Para mim o que importa é a realidade, a razão, a verdade das coisas, a mais pura das verdades, e uma grande verdade é que tu e todos os teus "amigos" armados em espertos e senhores da razão pura e simplesmente não prestam.
Pesquisas a mim e aos meus numa tentativa de fugires ao teu verdadeiro eu. Pesquisas numa tentativa de cobrires novamente a tua cara, a cara de monstro numa cara de rapaz que não parte um prato.
Tu e o teu motorista foram apanhados em pela perseguição.
Chega destes jogos.
Acabou.
Basta.
Agora bem te podes esconder na escuridão da tua máscara, pois tu a mim não me enganas mais.
Agora começa a enganar quem tu queiras, alguém que seja cega porque eu já não o sou mais.
O dia chegou ao fim, tendo eu pescado muitos peixes, tendo sido tu e os teus amigos os peixes mais pequeninos e incapazes para assar.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Perseguida

Difícil, é assim que avalio a grande cruzada por entre os enleios do verdadeiro e do falso.
É cansativo ouvir os devaneios de uma alma já de si desequilibrada.
A tua imagem antes distorcida, como se visse o teu reflexo num espelho coberto de água, está agora real. É verdadeira e mostra a tua cara real.
Durante algum tempo decidiste divertir-te com os sentimentos de uma determinada pessoa. Hoje pensas e olhas à tua volta tentado ser visto, que sejas reconhecido por ela.
Ela não te quer, ela acordou do coma profundo a que foi submetida.
Ela ultrapassou a escuridão.
Ela é perseguida por ti.
Durante algum tempo ela pensou em como foi capaz de existir alguém assim, mas agora ela percebeu que as pessoas são escolhidas a dedo.
Durante algum tempo ela quis ver se isto acabava, mas viu que era apenas o inicio.
Agora apenas o tempo ditará o futuro.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Irish Soul

A água corre ao longo do rio e desce a toda a velocidade na enorme cascata.
O vento é doce e trás consigo o som e o cheiro da água e trás também algo mais.
Sinto algo dentro de mim, uma vontade de algo.
Fui até ao quarto e descobri uma caixa. Era preta com uns símbolos celticos, abri-a e tirei de lá uma roupa...
O som começou a chegar mais próximo e eu já sabia o que tinha a fazer.
Desci a grande escadaria acompanhando o ritmo da música que ouvia.
O céu estava azul, as árvores estavam com um verde lindo, as cores estavam como vivas.
Desci o caminho e fui para junto do rio.
O meu vestido tinha várias tonalidades de verde escuro, azul e preto e estava adornado com vários círculos como se fosse o universo pintado sobre uma tela.
Começou a anoitecer.
Subi para uma pedra e ouvi o toque do meu pé sobre ela.
Fiz uma dança para ver como ficava o som e foi aí que tudo começou.
Dançar com a natureza tem os seus momentos de beleza e de sapateado.
Captei o som de uma trovoada longinqua e começou o espectáculo.
Estávamos distribuídos em algumas rochas e começamos a dançar ao mesmo tempo.
A tempestade aproximava-se e nós continuávamos a dançar sobre as rochas.
Um elemento saltou e todos os outros saltaram com um intervalo de segundos.
Demos as mãos e agora todos parecíamos um só.
As nossas pernas elevavam-se e os pés tocavam com grande estrondo no chão. Surgiu um raio no céu preto, ilustrando a nossa força.
Criámos formas durante a dança de pernas que se elevam ao ar, dos pés que fazem música.
A música que muitos corpos conseguem criar.
A música que faz sonhar e viver.
A música de um povo.
The Irish Soul.

domingo, 19 de setembro de 2010

Ver-te Com Outros Olhos

Ingénua e cega são os melhores adjectivos que designam aquela fase.
Percorri caminhos que me levaram a ver as coisas de maneira diferente.
Aquele que eu "amava" não passava de uma sombra, um ser invisível, um ser não vivo no meio da escuridão.
Apenas vi a  mentira, pois a verdade estava muito bem fechada a sete chaves, como se ele as tivesse deitado fora.
Tentaste iludir-me com as tuas conversas, mas eu já sabia que de mim não irias ter o proveito de enganar durante muito tempo.
O que eu temia veio ao de cima.
Revelaste-te finalmente.
Pude ver assim que eu sempre tinha razão.
Aquele que eu amava não existia, aquele que eu pensava existir era apenas uma ilusão óptica.
Cega foi como me senti.
O meu ponto seguro chamou-me. Cheguei com os olhos vermelhos devido à luz que recebia. Os meus olhos habituaram-se à escuridão.
Demorei semanas a adaptar-me à luz.
Foram preciso meses até recuperar finalmente do que passei.
Aprendi a não ver o que quer ser visto e que teima em chamar a atenção, pois aí existe escuridão. Agora apenas vejo os gestos mais simples, pois são eles não querem ser vistos, apenas nos tocam e nos deixam felizes.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A Fuga

A noite fora de temporal.
O cheiro da terra molhada fez-me lembrar de um passado próximo.
Toquei nas folhas molhadas pela chuva e lembrei -me do toque das gotas da chuva no meu cabelo e no meu rosto.
O céu estava a ficar novamente carregado e muito escuro para aquela hora matinal.
Nas cavalariças os cavalos estavam agitados, confirmando assim o que eu temia.
Não iria ser só chuva, a tempestade seria muito pior.
Voltei para casa e preparei-me para a minha viagem de cavalo.
As minhas vestes pretas eram perfeitas para a fuga.
Ninguém me poderia reconhecer e como tal usei roupas que ninguém viu e inclui a capa que eu desenhara.
O plano era perfeito, pois até o cavalo iria ficar irreconhecivel.
Tratei de tudo ao pormenor.
Eu de preto e o cavalo também.
Fui para a cavalariça e vesti o meu cavalo, estava mesmo irreconhecivel.
Olhei para ele e ele acalmou-se. Disse-lhe que iria tudo correr bem e ele fechou os olhos.
Voltei para casa e tratei de mim.
Ninguém me podia ver a cara.
Quando já estava pronta para a partida, andei com muita cautela. Eu era uma sombra no meio daquele casarão.
Passei por um quatro deserto e deixei lá uma carta explicando a razão de tal desaparecimento.
Pensei em todos os que amo ao chegar à grande porta. Eles só estariam seguros se eu saísse dali.
Corri para a cavalariça e comecei a minha longa viagem.
Ao longe ouvia-se um trovão, o meu cavalo começou a correr cada vez mais...
Andamos sem parar durante horas, não podíamos parar, se parássemos seria o fim.
Mais um trovão e desta vez um disparo a poucos quilómetros.
Parecia que eu e o meu cavalo tínhamos um elo de ligação que era possível ter os mesmos pensamentos. Não precisei de o conduzir para se afastar dos disparos ou para ser mais veloz, ele próprio sabia quando devia ser mais selvagem.
Percorremos a grande velocidade sempre a ouvir gritos de grande frustração por parte daqueles que nos perseguiam. Estavam muito longe de nos acertar, mas mesmo assim continuavam a disparar.
Subimos por um carreiro íngreme que nos iria levar para o sitio que eu escolhera.
O meu cavalo estava cansado mas mesmo assim não desistiu e continuou a correr.
Ao chegarmos levei-o e tratei dele.
Este novo casarão não era visível lá de baixo e assim era impossível chegarem até cá.
A chuva apagou todo o rasto.
Agora era apenas uma questão de tempo, até poder meter todos os pontos nos "i's" e preparar-me para o derradeiro jogo sujo que me prepararam.

sábado, 11 de setembro de 2010

A Tempestade

Primeiro uma gota depois outra seguida de um enorme relampago e depois um enorme trovão.
Assim começou a grande tempestade, aquela que iria fundir-se nas minhas lágrimas, aquela que me iria encaminhar até aos dias de paz.
Sofremos as duas de uma maneira inimaginável.
Juntas passamos por situções não amigáveis.
Lutamos na altura de maior dor e iremos lutar até ao fim nas nossas conquistas, batalhas e guerras sempre juntas como fora sempre.
A amizade não tem preço e à que ser preservada como temos feito.
A cada dia aprendemos algo uma com a outra.
A nossa amizade ficou mais sólida no momento da grande tempestade.
Aqueles dias de chuva e frio foram maus em alguns aspectos, mas muito bons e maravilhosos noutros.
Fomos como uma só, dois seres fundidos num só onde existia sofrimento.
Agora os dias são de um sol abrasador que já fez com que algumas gotas de chuva saissem do nosso caminho, preenchendo esses espaços de grande felicidade.
Obrigada por todos os momentos maninha.

Nota da Autora: Este post é dedicado à minha melhor amiga e irmã Tânia Dias.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Secret Love

I walked a long way till I saw you.
You came without a notice and came to meet me.
Your eyes made me sight and your smile illuminated my way.
I look to you discreetly trying to memorize all your face details.
Your curly hair dance and the breeze bring to me the sweet fragrance of your perfume.
I stop looking to you.
I thought to me how could be me the privileged to see you.
You touch on my chin making me up my head.
You fixed your eyes on mines like you always had known me.
I smiled to break the tension I felt inside me.
You told me that it was impossible stop looking to me, but I couldn’t tell you the same.
Far away somebody called me.
You hold my hand, join at your face and you close your eyes.
I felt your temperature through my fingers like an electric current that connect us together.
I closed my eyes and look over your face with my other hand.
You sight.
We hugged for being the moment of our farewell.
I whisper at your ear and you smiled.
Somebody call me again.
You kissed me in the middle of tears.
Nobody could make us wake up of that dream that was our secret love.

Introspecção

Preferi andar por aí sem rumo.
Pensei sem cessar nas coisas por que já passei e descobri que certos problemas e situações do passado eram agora nada em comparação ao que vivo neste momento.
Aquelas discoções sem sentido dão me vontade de rir.
Os momentos cómicos fazem-me chorar por querer voltar a vivê-los.
Vejo os momentos mais sérios, como os que mais se pode aprender com eles, se bem que se aprende sempre algo em tudo.
Cada minuto é uma dádiva e uma lição.
Sorri por ver um passarinho a aprender a voar. Ali estava uma lição, uma necessidade.
O que somos nós?
Somos seres que buscam o que desejam para satisfazer as suas necessidades, tal e qual como outro animal.
Por vezes as pessoas sentem necessidades que são favoráveis (ler, cantar, dormir, comer, sorrir, brincar,...) e algumas não muito saudáveis, como é o caso de roubar algo a alguém.
É tudo uma questão de necessidade.
E com tanto pensar fui parar à praia.
Observei as gaivotas que andavam de um lado para o outro ao lado de um barco cheio de peixe.
Fiquei por ali na areia perto da água a sentir a aragem do mar.

sábado, 4 de setembro de 2010

O Protótipo

Decidi andar, apenas por andar.
Alguém olhava-me através da janela com um olhar curioso. Não me atrevi a olhar directamente para saber quem seria. Parecia que todos os olhos daquela casa estavam colados às minhas costas.
Fui em direcção à floresta.
As árvores altas pareciam tocar no céu, os pássaros dançavam entre os ramos.
Percorri um longo caminho sem olhar para trás, ouvindo apenas o som dos meus passos.
Quis parar de pensar nas coisas que teimavam em assombrar-me, mas parecia impossível.
Parecia que eu tinha sido a escolhida para aquela história, em que tudo não passava de enleios e mais enleios.
Sentei-me numa árvore que se encontrava caída.
Comecei a sentir-me livre, uma liberdade que já não sentia há muito tempo.
Levantei-me com os olhos fechados, sorrindo para mim.
Como foi bom sentir algo a levitar dentro de mim.
Uma felicidade que crescia a cada segundo.
Começou a fazer vento e abri os braços.
Parecia que voltara à minha infância.
Abstrai-me de tudo e ali estava eu a cantar e a dançar com um enorme sorriso nos lábios, fazendo daquele cenário um dos mais belos em que se pudesse estar.
Eu saltava e brincava de um lado para o outro, encontrando uma borboleta aqui, outra acolá, um passarinho a tentar voar, animais selvagens...
Passei a noite quase toda naquela festa.
Com a emoção que tinha, decidi ir explorar mais um pouco e foi aí que vi o que sempre me fazia pensar que a floresta não tinha só árvores e seus habitantes.
Um protótipo de pedra que dava acesso a algo que não estava indicado no mapa.
Olhei para ele com curiosidade, toquei na pedra dura e fria.
Caminhei para o local que ele guardava.
O vento ganhou mais força e ali à minha frente encontrava-se um enorme jardim em forma de labirinto e ao fundo uma mansão.
Algo voou na minha direcção, apanhei-o. Era um colar com um coração de um vermelho quase a tingir o preto. Observei-o cuidadosamente e meti-o ao pescoço.
Dirigi-me ao magnífico jardim que ali se encontrava. Ouvia-se uma cascata lá próxima.
Observei as flores e reparei que a maioria eram rosas vermelhas quase pretas.
Ao longe ouvia-se uma melodia que parecia fazer parte do belo cenário em que me encontrava.
Sentei-me num baloiço escutando atentamente aquela música calma e bela. Deixei-me dormir naquele paraíso.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Identidade Oculta

Preferi esconder-me nas sombras e ver as coisas acontecerem à minha volta.
Apareceste sem que te pedisse e ali ficaste tu a tentar estragar o que fora construído por mim.
Mudei.
Apareci e não foste capaz de me identificar.
Os meus olhos estavam diferentes perante a revolta que sentia dentro de mim.
Ali estava eu, a verdadeira eu, na luz onde tu me poderias ver sem medos, mas tu não me viste.
Teimaste em chamar-me por um nome que não é o meu.
Teimaste em voltar a negar tudo, mesmo com as cartas em cima da mesa.
Tentaste seduzir quem não se deixa seduzir por ti.
Tentaste em vão destruir o céu, mas foste engolido pelo oceano.
O monstro apareceu.
A tua verdadeira cara apareceu, mas mesmo assim teimaste em me dizer que não.
Virei-te as costas e não gostaste.
Decidiste vingar-te de algo que não tem sentido.
Tentaste atingir-me, mas falhaste o alvo.
Quando pensaste que me atingiste ao fim de várias tentativas falhadas, fingi que tudo acabara ali. Aproximaste-te de mim com a tua verdadeira identidade, aquela que me ocultaste durante o início.
Eu continuava ali a jazar no chão frio à tua espera, à espera do meu momento de glória.
Todos os meus sentidos estavam apurados. Tudo tinha de ser como eu queria e não como tu desejavas.
Olhas-te para a minha cara pálida com os teus olhos vermelhos de fúria e da mais profunda crueldade.
Deste-me um pontapé para te certificares que eu já era.
Não me doeu. A dor da alma era maior que a física.
Ouvi os teus passos a afastarem-se e aí te ataquei.
A tua face fora finalmente revelada.