Desci as escadas lentamente enquanto meditava sobre o que deveria fazer para acabar de vez com algo que se tinha abatido na minha vida. Passei por retratos que tinham sido colocados à horas antes, se não fosse a minha mãe a perguntar se gostava, eu nem teria dado conta de que ali estavam.Observei-os com curiosidade e a minha mãe disse-me que ficava ali bem um quadro que eu desenhara.
Acenei afirmativamente e fui buscá-lo ao meu atelier.
O meu quadro chamava-se "A Espera" e nele estava uma jovem à janela de uma catedral gótica, olhando para o mar com atenção, o céu estava coberto de nuvens e no horizonte encontrava-se um barco. Onde estava o barco existia uma abertura no céu. Os raios solares iluminavam o caminho que o barco deve percorrer, até chegar a terra firme. Ao lado eu desenhara um relógio ao de leve como se de uma pena se trata-se, que fez de inspiração ao título do quadro.
Coloquei-o onde a minha mãe o indicara e fiquei a olhá-lo como se não fosse eu a sua autora. As cores carregadas demonstravam visivelmente a angustia daquela personagem.
Mexi no quadro e caiu algo dele para o chão. Achei aquilo estranho até porque ninguém lá entrava sem ser eu.
Peguei no que tinha caído e vi que era uma carta.
Estava direccionada a mim.
Li-a com toda a minha atenção e só dei por mim quando senti algo a escorrer pelo meu rosto.
Eram lágrimas.
Estava finalmente próximo o dia que tanto esperara.
O dia em que seria finalmente feliz e que todos os monstros e fantasmas do passado iriam morrer para sempre.










