Por vezes sinto que tudo isto não passa de um sonho e que vou acordar para a realidade, mas a verdade é que o sonho é a própria realidade.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A Carta

Desci as escadas lentamente enquanto meditava sobre o que deveria fazer para acabar de vez com algo que se tinha abatido na minha vida. Passei por retratos que tinham sido colocados à horas antes, se não fosse a minha mãe a perguntar se gostava, eu nem teria dado conta de que ali estavam.
Observei-os com curiosidade e a minha mãe disse-me que ficava ali bem um quadro que eu desenhara.
Acenei afirmativamente e fui buscá-lo ao meu atelier.
O meu quadro chamava-se "A Espera" e nele estava uma jovem à janela de uma catedral gótica, olhando para o mar com atenção, o céu estava coberto de nuvens e no horizonte encontrava-se um barco. Onde estava o barco existia uma abertura no céu. Os raios solares iluminavam o caminho que o barco deve percorrer, até chegar a terra firme. Ao lado eu desenhara um relógio ao de leve como se de uma pena se trata-se, que fez de inspiração ao título do quadro.
Coloquei-o onde a minha mãe o indicara e fiquei a olhá-lo como se não fosse eu a sua autora. As cores carregadas demonstravam visivelmente a angustia daquela personagem.
Mexi no quadro e caiu algo dele para o chão. Achei aquilo estranho até porque ninguém lá entrava sem ser eu.
Peguei no que tinha caído e vi que era uma carta.
Estava direccionada a mim.
Li-a com toda a minha atenção e só dei por mim quando senti algo a escorrer pelo meu rosto.
Eram lágrimas.
Estava finalmente próximo o dia que tanto esperara.
O dia em que seria finalmente feliz e que todos os monstros e fantasmas do passado iriam morrer para sempre.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Gothic Santuary

O vento batia violentamente nas janelas e as árvores "choravam" à sua passagem.
Eu escrevia para aliviar a minha alma, até que adormeci finalmente.
Tinha um vestido cai-cai preto de cauda vestido. Olhei à minha volta, estava tudo escuro e a única luz que havia era à base de uma tocha. Peguei nela e segui escadas abaixo.
Percorri um grande corredor que me levava até uma ponte de pedra.
A ponte era adornada por símbolos, estátuas e colunas de mármore.
Sigui em frente e entrei numa sala em ruínas, mas que fora preparada por alguém para que eu a encontrasse exactamente desta maneira.
Estava escura, à medida que fui andando a sala iluminou-se.
O chão estava coberto de pétalas de rosas vermelhas. Segui-as...
Foram dar a um piano preto de cauda, que continha lá uma partitura, e uma rosa vermelha com um laço no cale.
Olhei em volta e ali estava também o meu violino sobre uma superfície tapada com um pano de veludo preto.
O salão não tinha janelas, onde deveriam estar as janelas estavam buracos nas paredes com cortinados pretos velhos a voar ao sabor do vento.
Segui até ao piano, sentei-me, observei a rosa e tomei bem atenção à partitura que lá tinha sido colocada.
Era a música que ele me dedicara há alguns anos atrás, naquela em que foi a última vez que visitámos aquele palácio que hoje em dia me chama, como quem diz "Porque é que não me vens ver? Tenho saudades tuas.". Desejo lá ir, eu sei que tenho de ir, mas quando, isso é ainda uma incógnita.
Comecei a tocar, aquela que fora a nossa música.
As lágrimas surgiram de surpresa, mas era tarde de mais. Não conseguia parar de tocar. Era uma necessidade, como respirar para viver.
Cada nota me mostrava um sorriso, um olhar, uma caricia.
A música mostrava-me tu como se nunca tivesses realmente partido.
Um violino começou a tocar, fazendo a música ganhar mais vida.
Olhei para trás sem conseguir parar de tocar e ali estavas tu.
Olhaste para mim com o teu lindo sorriso, aquele que jamais deveria ter sido apagado.
Os pássaros voaram para fora, cantando e elevando a nossa melodia para o mundo exterior.

domingo, 22 de agosto de 2010

Desilusão

Desci a rua a correr perdida entre lágrimas que me cobriam a face.
Os meus olhos estavam muito vermelhos e as minhas olheiras faziam notar mais uma noite que não dormira.
Já estava cansada por não conseguir dormir, mas mesmo com muito sono não conseguia dormir, era como se algo me impedisse de descansar.
Cheguei ao rio, observei o meu reflexo na água tranquila da margem e vi uma pessoa que não era eu. Eu aquela que era conhecida por ter uns olhos bonitos e um lindo sorriso desaparecera. Agora existia aquela que era conhecida por ter um olhar sem vida, aquela que se apagara.
As pessoas falavam comigo, mas era como se não estivessem ali. Eu não as ouvia e não as conseguia entender.
Diziam que morrera interiormente.
Culpada era como me sentia. Isso sim...
Culpada por ter ido atrás do que sentia, por pensar que era a escolha certa.
Culpada por imaginar que as coisas seriam diferentes quando na realidade as provas estiveram ali mesmo à minha frente e eu não fui capaz de as perceber.
Tive de conviver com as consequências de ter conhecido tais monstros em forma de gente.
Agora é altura de encontrar um novo rumo e acabar com este inferno de vez.

sábado, 21 de agosto de 2010

Celtic Tiger

Viajei durante algum tempo para esquecer o passado e o que sofri.
Descobri novas terras e com elas novas histórias e tradições que me fascinaram a cada minuto que passava com aquelas pessoas simples e hospitaleiras.
Viajei, viajei, viajei...
Cheguei até à Irlanda.
As ruínas dos castelos fazem agora parte dos postais naturais do local.
A vegetação selvagem trás consigo uma grande paz e com ela descobri toda a maravilha daquele país.
As ruas tinham um som que me era familiar. Caminhei ao som daquele som, tentado descobrir de onde é que ele vinha.
Caminhei por entre ruas e descobri "Celtic Tiger".
Dançavam sapateado como mais ninguém o sabe dançar. As coreografias formavam formas, como estrelas, flores, entre outros.
As roupas eram magnificas. Os vestidos e os fatos da cor de tigre faziam o cenário tornar-se mais magnifico.
As pessoas em redor dançavam e vibravam com a emoção espelhada no rosto.
"Celtic Tiger" foi um dos melhores espectáculos de sapateado que já vi.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O Intruso de Duas Caras

A primavera chegara cheia de cores e de alegria, mas para mim não passava de mais uma etapa do ano como todas as outras.
Fui jantar com os meus amigos mais chegados e decidimos ir passear.
Fomos a uma geladaria, sentei-me na esplanada a comer um gelado de café e foi aí que o vi. Estava no calçadão a falar com um grupo de amigos. Entraram na geladaria e foram levados para uma mesa que ficava ao lado da nossa. Senti que estava a ser observada. Continuei a comer o meu gelado como se nada fosse, até que olhei discretamente para a sua mesa. Ele não tirava os olhos de cima de mim. Falei com uma amiga e decidimos ir até ao calçadão e voltar para a mesa a fim de tirar as nossas conclusões. O jovem continuava a olhar sem cessar.
Na altura de irmos embora ele levantou-se, perguntou-me se ia já embora e perguntou o meu nome. Eu não queria acreditar que isto estava a acontecer, mas como não sou mal educada respondi-lhe com simpatia e normalidade, ele disse-me o seu nome desejei-lhe uma boa noite e segui o meu caminho. Ele continuou em pé a olhar fixamente para mim.
Passaram-se alguns meses até o voltar a ver (pensava eu).
Ele conseguiu entrar na minha vida, fazendo-me acreditar que era um tipo de pessoa mas afinal era outra completamente diferente.
Iludiu-me com as suas conversas, com as suas mentiras que ainda hoje ele diz serem verdades.
Tentou usar-me para fazer ciumes a outra pessoa, mas enganou-se na escolha.
Tentou destruir o meu universo, mas foi o dele que acabou.
Engana-se a ele e aos que estão à sua volta, mas a mim não me engana mais.
Tem cara de quem não parte um prato, mas partiu inúmeros trens de cozinha.
Não é capaz de se fazer frente aos problemas, esconde-se deles como uma criança e só tem coragem à frente de um computador, pois se for à frente da pessoa diz que está tudo bem, que não há problemas nenhuns, enfim um santinho...
É um estrangeiro que veio para cá armado em santo e em senhor do universo.
O universo não tem espaço para o ego dele. Sou capaz de ver ele à frente de um espelho mostrando as suas duas caras e o seu aclamado ego.

domingo, 15 de agosto de 2010

Abismo

A tempestade abateu-se sobe mim.
Os mares estavam revoltos.
O céu estava pesado, cheio de nuvens negras que brilhavam com as cores dos relâmpagos.
As ondas batiam contra as rochas afiadas como facas que esperavam para me agarrar ao mínimo deslize.
As gotas da chuva eram frias e fortes.
Senti algo a tocar-me. Olhei e vi uns olhos a implorar.
Dei-lhe a mão. Era a última vez que o iria ver.
Despedi-me.
Já não acreditava em mais nada, tudo não passara de mentiras para me fazerem sentir feliz.
Já não acreditava em nada nem no mais simples gesto como um sorriso.
Ele chorava e eu também. Chorava por não ter sido capaz de acabar com aquele sofrimento. Eu chorava por não conseguir acreditar mais nele e por não acreditar no que as pessoas me diziam.
Sentia-me traída e enganada.
O mundo enganara-me sem dó nem piedade.
Agora tudo o que me restava era aquela dor que me consumia por dentro e me tirava todas as minhas forças.
O fim aproximava-se. Eu sentia-o cada vez mais próximo a cada minuto que passava.
Olhei para o céu.
Ele tentou agarrar o meu braço, mas foi tarde de mais.
Saltei do penhasco desejando acabar com a dor de uma vez por todas.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

The Dream

The night started with a big storm.
My day was really hard and I just want protection of my bed and of my world.
I cry.
I took my album and I look to a photo of a beautiful woman holding a picture-frame. She has something with her. I feel free and protected when I look to her.
I take her photo and after there is a boy. In fact it is a photo of a young man.
I take is photo too and I look to him.
It’s too late. My eyes want to close and I fall asleep.
Darkness…
I walk and suddenly the thick fog envelops me.
In the middle there’s a smiling face, I recognize it.
It’s him the boy of the photo.
We look to each other.
The thick fog continues enveloping us, like a protection barrier. It seems no one can see or know we are there.
He guides me to a rock, our smiles shows all the feelings we feel to each other.
The wind is slowing down and the sun appears shining bright.
He takes me to his arms and pushes me up to his chest.
The environment seems be at our favour, the birds dance and sing, the butterflies dance above us making a perfect circle.
We look to the horizon, I feel free and happy with him.
I awake.
Outside it steals raining, the sound of the storm seems the crash of two rocks and the light of it enters in my room like the flash of a camera.
The two photos are together in my hand. I look to him and ask “why?”.
I’m feeling so lost.
Lost in a world where the only thing that matters is what the others want.
A world were exist so evil and jealousy.
This world is cruel and selfish.
I’m lost without you.
All that happiness was just a dream.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A Rosa

As portas abriram-se e os espectadores começaram por entrar. As suas caras demonstravam a curiosidade que tinham perante o espectáculo que estavam prestes a presenciar e a viver com as personagens que entrariam em palco.
Estávamos num antigo teatro ou devo chamar-lhe de palácio?
O casarão é adornado por talha dourada, os tectos foram pintados por grandes pintores da época...
O meu camarim era acolhedor, tinha grandes jarras que acolhiam no seu interior flores e verduras, haviam quadros que demonstravam os grandes mestres que pernoitaram naquele que seria o meu cantinho durante seis meses. O camarim estava iluminado por castiçais que lhe davam um ar mais clássico e as mobílias eram de um estilo antigo. O que mais me impressionava nele era o estilo gótico e o grande espelho adornado com rosas encrostadas que se estendia à minha frente.
Alguém bateu à porta...
A minha protectora entrou com um grande sorriso no rosto, os seus olhos brilharam e ajudou-me a vestir o vestido para o acto 1.
Ela desejou-me muita merda (termo artistico para que não aconteça nenhum azar) e segui o meu caminho até ao grande auditório.
Caminhei de cabeça baixa pensando no que me estava a acontecer, respirei fundo, abri os meus olhos e entrei.
Observei a sala, era impossivel ver quem quer que fosse. Estava escuro, apenas conseguia sentir os olhos fixos em mim.
Andei pelo palco, a orquestra começou a tocar e voei livremente sem ter de me preocupar com nada. O meu sonho estava a ser realizado.
A peça terminou duas horas e meia depois de ter entrado pela primeira vez no palco. A minha protectora foi ter comigo, deu-me os parabéns e um grande ramo de flores em nome da produção.
Fui para a rua apanhar ar.
A noite estava calma e amena. As estátuas estavam tapadas com a neve que caira na noite anterior. Transmitiam força, garra e luta.
Observei tudo ao promenor e a vista que se estendia à minha frente era linda. A cidade estava iluminada aos meus pés.
Sentei-me aos pés de uma gárgula a olhar as estrelas que brilhavam no céu.
Alguem me tocou.
Olhei para a pessoa, era um jovem, mas não me mostrou a cara. Entegou-me uma rosa vermelha e transmitiu-me um recado "esta noite estiveste com os anjos". Arrepiei-me com aquele recado.
Lembrei-me que já alguém me tinha sitado a mesma frase há alguns anos atrás.
Olhei para a rosa que estava sobre a minha mão. Era de um vermelho vivo, o cale verde tinha um laço verde.
Uma lágrima percorreu-me o rosto, chegou ao meu queixo e caiu nas costas da minha mão.
Levantei-me e olhei para o céu. A rosa estava com o vermelho mais vivo que antes.
Guardei-a dentro de um cristal. Continua como se tivesse sido recolhida à menos de um minuto.
A peça foi um enorme socesso durante os seis meses em que participei.

domingo, 8 de agosto de 2010

O Choro dos Inocentes

Londres.
As ruas estavam frias, estivera a chover durante toda a noite.
Observei o velho candeeiro que dançava ao sabor do vento que fustigava toda a cidade.
Caminhei até à margem do rio Tamisa e fiquei por lá à espera do amanhecer.
A chuva acabou por cessar, as nuvens começaram a dispersar e no meio delas apareceu o sol.
O céu estava avermelhado, o que não era nada óptimo. Os tempos estavam mudados e a criminalidade estava a crescer a olhos vistos. Antigamente diziam que céu avermelhado era sinónimo de sangue. Fiz esse pensamento sair imediatamente da minha mente e segui até ao Hide Park.
O parque estava deserto, as gotas da chuva caiam lentamente da copa das árvores. A relva estava molhada mas mesmo assim continuei.
A cidade começou a acordar lentamente para mais um dia, para a realidade.
Parei e olhei para mim. Estava com o meu vestido bordado, o meu crucifixo, a minha capa preta e estava exausta. A noite fora uma das melhores de sempre. A banda conseguiu lucrar bastante esta noite, apresentámos dois novos temas e o público ficou ao rubro, mas mesmo assim não consegui estar feliz com o êxito obtido. Havia algo diferente, algo estranho...
Fui para casa.
As árvores que percorriam o carreiro até casa pareciam estar diferentes. Os passarinhos que cantavam sempre que chegava a casa não se encontravam ali.
Entrei, subi as escadas e chamei pela minha irmã. Chamei por ela várias vezes, mas nunca obtinha respostas.
Na mesa da sala estava lá uma carta direccionada em meu nome, peguei nela e reconheci a letra.
A minha irmã "abandonara-me" e deixou-me pistas que me levariam até ela.
Algo acontecera e ela desapareceu para me proteger. Aquilo era tudo muito estranho, mas como uma das coisas que mais nos ligava era a lealdade, fiz o que ela me pediu.
Passaram-se meses desde a manhã que recebi aquela carta.
A banda terminou, ficámos afortunados com as receitas obtidas durante os anos que actuamos.
Encontrei a minha irmã e com ela muitas respostas a acontecimentos que sempre me marcaram.
O nosso reencontro foi emotivo. Conseguimos mudar muitos acontecimentos que poderiam tornar-se trágicos. 

Music Is The Key

Com um simples olhar te descobri dentro de mim.
Foi amor à primeira vista.
Desde então que juntos lutamos arduamente por algo que nos faz feliz.
Com um pedaço de papel te escrevo.
Transformo uma simples folha musical numa preciosidade.
O que seria eu sem ti?
O que seria do Mundo sem o teu amor, a tua vasta sonoridade, a tua história?
Eu sou um instrumento teu.
Sou a tua voz.
A tua alma.
A realização de um sonho.
Tu és o meu grande tesouro.
O tesouro que nunca me será roubado, aquele que nunca irá morrer.
Eu sou tu.
You are the key of my soul.