Por vezes sinto que tudo isto não passa de um sonho e que vou acordar para a realidade, mas a verdade é que o sonho é a própria realidade.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal


Um Feliz Natal para todos os leitores.
Muitos Beijinhos

Gisela

domingo, 27 de novembro de 2011

Amar-te

Amar-te é como viver uma vida nova,
Uma vida sem problemas
Uma vida repleta de alegrias
Uma vida onde se deseja o amanhã
Uma vida simples
Uma vida cheia de amor por ti

Amar-te é simplesmente amar-te tal como és, com as tuas qualidades e com os teus defeitos.
És como o céu, que de tão longe estar, fizeste mundos e fundos para eu te conseguir tocar, abraçar...
Por vezes quando te vejo, parece que és um anjo e que fui abençoada por te ter nos meus braços.
És tu o Sol que ilumina o meu caminho e me faz viver os meus dias em pleno, para não voltar a entrar na escuridão que fora antes a minha casa.
Amo as palavras que são ditas, as juras de amor, ...
Tu és tudo o que eu procurei para a minha vida.

Amo-te

domingo, 13 de novembro de 2011

Sem Escolha

Adorava poder escolher ver ou não a tua cara sombria mas sei que tal é impossível.
Os teus olhos percorrem a minha sombra, em busca de saciar a tua sede que já mais será saciada.
Queria que me esquecesses, que retomes a tua vida nessa sombra sombria que é a tua moradia.
Sem escolha. - Disseste tu durante aquela noite, olhando-me sem pestanejar com os teus olhos sombrios.
Fechei os meus olhos na tentativa de deixar de ver os teus, mas foi impossível. Os meus olhos viam os teus mesmo estando fechados naquele escuro que me envolvia.
As tuas mãos frias envolviam a minha cintura de maneira a eu não ter qualquer forma de fugir.
Eu era a tua presa, uma presa fácil às tuas mãos. Uma presa que se partia ao mínimo toque. 

Anne não sabia o que escrever depois de mais um pesadelo. Após várias noites sem dormir, sempre que passava pelo sono, via sempre o mesmo homem, o mesmo olhar frio, os seus dentes... A sede dele era visível para ela, ele seduzia-a sem parar e ela olhava-o com desdém. 
Com tantos sonhos, Anne decidiu fazer um diário de sonhos. Talvez pudesse vir a descobrir quem era aquele homem que a intimidava todas as noites 
Para ela a escolha seria terminar com tudo aquilo de vez, mas como? Os sonhos não são reais mas por vezes quem sabe?

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Sonho...

O tempo passa por mim avisando-me que as coisas ficam registadas no tempo, uma barra cronológica de acontecimentos uns importantes, outros menos, mas que nos moldaram e nos moldam ao que somos hoje.
Perdida no tempo percorro entre vales distantes da minha memória, onde o vento doce toca na minha pele suavemente. Fecho os meus olhos na esperança de puder ir atrás no tempo, não para o corrigir, apenas para voltar a ver o teu rosto diante de mim e poder trazer-te comigo para o presente.
Os dias passam a correr e tu ali continuas deitado naquela cama que me transmite uma mistura de sentimentos, incertezas, certezas, esperanças... como é injusto.
Olho para o teu rosto tentando visualizar-te naquela cama, onde dormes profundamente durante meses. Não consigo acreditar que foi ali que foste parar depois de tudo o que nós vivemos os dois.
Pego numa fotografia tua, dou-te um beijo e desenho todos os teus contornos com o meu dedo. As fotografias não conseguem igualar a tua beleza por inteiro, apenas a tua imagem do momento.
Falo contigo através daquela imagem, a imagem que te imortalizou quando te encontrei. Lembras-te?
Depois de tanto sonhar contigo e de ir à tua procura, decidi por fim escrever-te.
Escrevi-te uma carta ao luar usando apenas velas para conseguir ler o que ia escrevendo no meio de lágrimas.
Ao longo da carta perguntei-me como é que irias reagir ao lê-la, será que irias conseguir recordar aquele almoço cheio de risos e brincadeiras?
Irias recordar o quão importante és para mim e o quão importante sou para ti?
Hoje estás comigo no meio da tua inconsciência que te impossibilita de saíres daquela cama. Pergunto, porquê a ti? Porquê a nós?
Todos os dias penso em ti, de como estarás. Apenas temos um oceano a nos separar, mas o que é que isso interessa?
O amor é assim mesmo, não existem barreiras, apenas obstáculos que nós humanos criamos por defesa.
Observo os aviões todas as noites e pergunto-lhes "Quando é que me levas contigo?". Quero ver-te, preciso de ver-te, tocar na tua pele, dar-te um beijinho na testa ou nas tuas bochechas. Quero sentir que ali estás realmente e que me sentes, não como antes mas mais intensamente.
Não te quero ali, até porque ali não é o lugar certo para os anjos. Quero-te comigo, com os teus amigos, com a tua vida para a frente.

Acordei silenciosamente do meu sono profundo. É normal sonhar contigo, mas não assim desta forma.
Ainda sinto o doce dos teus lábios nos meus, o meu coração aos saltos...
Sonhar contigo é ter-te sem te ter, durante um simples momento.

sábado, 3 de setembro de 2011

Estrela Cadente

A noite chegara docemente naquela noite de Verão.
O céu tingiu-se de várias cores e no meu horizonte, surgiram as luzes daquela cidade por mim já tão conhecida pelo passar dos anos.
Sentia-me exausta com tudo o que vivia. Uma lágrima percorreu o meu rosto, era demais para mim ver toda aquela dor, a minha dor...
Sentei-me naquele chão frio, desejando estar noutro sitio, mas o meu lugar era ali.
Percorri todos os caminhos da minha memória tentando lembrar-me de todos aqueles momentos em que pude viver e sentir que afinal sempre existia uma razão para continuar em frente.
Sorri para mim ao lembrar-me de momentos não esquecidos, em que conseguia sentir o meu sorriso estampado na minha cara e não as lágrimas das tragédias.
À minha frente surgiu o belo Santuário que com a sua graça me concebia visionar toda a sua beleza e o seu explendor como se tivesse um mar de estrelas a iluminar o seu caminho.
A cidade por mim já conhecida parecia que me saudava dando-me a certeza de que esta seria uma noite das mais especiais que iria ter.
Coloquei as minhas mãos no chão frio para sentir a sua textura, o seu cheiro e assim trazer comigo um pouco daquele paraíso natural.
Pensei no que gostaria que acontecesse daqui em diante, nas mudanças que gostaria que surgissem na minha vida... Ai como tudo seria tão diferente...
A vida é mesmo cheia de incertezas.
Observei o céu, as estrelas formavam formas naquele mar negro.
A ursa maior vista dali parece enorme e o céu um autentico oceano que se funde com a terra.
Estrelas cadentes começaram a surgir diante de mim, formando um rasto por onde passavam e depois nada mais.
Olhei para o sitio onde uma acabara de passar, o meu coração estava prestes a saltar-me pelo peito. E se?...
Pedi-lhe que me concretizasse um desejo.
Uma chuva de estrelas surgiu ao longo da noite transformando-a numa das mais belas.

Enjoy...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Uma Breve Revisão

Os dias passam e tudo parece que foi um sonho que ficou para trás. Por vezes pergunto-me se tudo isto é mesmo real. Parei no tempo.
Tento situar-me o melhor que posso adaptando-me a toda esta rotina diária que me desgasta o corpo e a alma de forma devoraz.
Parece que a minha vida parou em 2010. Ainda tenho dificuldades em escrever uma data.
Toda a minha vida mudou desde que conheci aqueles dois canalhas. Primeiro o conhecimento, depois a tempestade, as lutas e as conquistas, os enganos que me feriram como espadas que cortam tudo à sua passagem e a partir daí a dolorosa recuperação a que fui forçada a fazer sozinha.
As fotografias que me pediam sem eu saber qual o seu objectivo. Eram tantas que para mim aquilo tudo tornou-se absurdo. Rios e rios de tintas e mares de folhas nesta enorme encruzilhada.
O tempo foi passando mas a dor teimava a continuar matar-me e levar-me consigo para a profundeza das trevas.
Tudo me era desconhecido excepto a chuva.
A chuva confundia todas as pessoas que por mim passavam. Eu chorava e a chuva limpava-me o rosto com as suas gotas delicadas e cheias de sabedoria. Ninguém precisava de saber que eu chorava. Apenas eu e a chuva sabíamos. Dançámos juntas e juntas formamos as tempestades até ao dia em que tudo acabou.
O sol rompeu por entre as nuvens e disse que também queria estar presente e assim permaneceu junto à chuva.
O que antes parecia absurdo começou a ter um pouco de sentido.
As coisas com aqueles dois canalhas mudaram drasticamente para nossa felicidade. Falharam o objectivo deles e agora não sabem para onde se devem virar.
O destino fez das suas e hoje estou feliz.
Sinto-me vingada, mas não totalmente.
Todos os que nos fizeram mal, já estão a pagar com juros, mas falta uma coisa... Vingança? Eu não chamo vingança a isto, chamo-lhe destino.
Quem semeia ventos colhe tempestades. Eles semearam muitos ventos e agora chegaram as tempestades. Eis as consequencias de quem brincou com o fogo. Brincaram, queimaram-se. Tão simples quanto isso.
Quero que tudo isto acabe e que não volte mais, pois tudo o que começa termina da mesma forma que nascemos e depois caminhamos para a morte. Tudo acaba e o vento leva.

sábado, 9 de julho de 2011

Sob Carris

A vida é mesmo assim
Tudo não passam de carris
Tudo não passa de um simples sim
Mesmo quando não sorris

O carris por onde passa o comboio
É como o carris por onde os meus pés pisam
E se afirmam para não caírem no rio
Um rio cheio de seres que me olham

Quem diria que isto teria um fim
A chuva terminou mas
O ar ainda está húmido devido a toda esta luta sem fim
No céu onde se juntaram mais almas

Percorri sem destino as curvas
Daquele carris sem ver o seu verdadeiro caminho
Tendo apenas as trevas
Como minha companheira naquele remoinho

Um remoinho que me estava destinado
E no meio de toda aquela desgraça
Apenas alguém abençoado
Me poderia salvar de toda aquela azafama

A salvação foi o carris por mim escolhido
Que no meio de todos
Foi o carris da verdade

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Se fossi...

Se fossi fuoco, accendrei il tuo cuore
Se fossi vento, accerezzerei la tu pelle
Se fossi acqua, sazierei la tua sete
Se fossi Dio, ascultarei la tua preghiera
Se fossi papa, ti darei pace
Se fossi imperatrice, ti darei la mia vita
Se fossi morte, darei la tua vita di indietro
Se fosse vita, sarei molto bella
Se fossi Gisela, como sono e fui
Io sarei la stessa persona che tu connosci

domingo, 15 de maio de 2011

Sem Sentido

Respirei fundo na expectativa do que se iria passar dentro de poucos instantes.
Abriste os olhos, estavam brilhantes como a água. Sorriste...
Desejei poder prolongar aquele contacto mas tudo mudou.
Senti que tudo fora em vão apesar de todo o nosso esforço. O homem ganancioso sempre fez olhos ao que não é seu e ali ele voltou a fazê-lo. Como eu desejei que tudo mudasse, o céu, as horas, o tempo...
Se pudesse voltar atrás apenas faria uma coisa fugia contigo na altura certa, na hora em que ouvisse todos os planos que aquela minha família tinha para mim. Jamais iria consentir com o que nos fizeram, mas o que podemos nós fazer contra o destino?
A vida é mesmo assim, prega-nos partidas quando nós menos esperamos, dá-nos as alegrias e tira-as de nós com a outra mão, oferecendo depois a tristeza.
Por vezes nem sei o que sinto com o tamanho das chapadas provocadas pelo destino, não sei se deva chorar ou sorrir, não sei se deva virar à direita ou se devo ir para um outro caminho.
Por vezes sinto-me perdida como se estivesse encurralada entre quatro paredes que teimam em me esmagar e sufocar perante todo o meu sofrimento.
Nada tem sentido, tudo fica nulo. O que é aquele sorriso? O sorriso desvanece e apenas se vê a lágrima que escorre pela pele.
Tudo volta a ser como dantes. Sem sentido.

Tempo

Há já algum tempo que não posto nada no blog.
Com tanta coisa para estudar nem tenho tido tempo para fazer algo que gosto que é cuidar do meu espaço.
Este blog foi feito há um ano e poucos meses com o intuito de me abstrair de problemas, pressões e criar um espaço onde eu pudesse partilhar os meus textos, opiniões e ideias e até desabafar através de textos que na altura receberam alguns comentários a elogiar as minhas criações.
As ideias vão surgindo mas o tempo infelizmente foge-me por entre os dedos e quando paro para pensar, olho para trás e vejo os dias, as horas, os momentos...
O tempo é mesmo algo com que o homem tem de se habituar, criar novos hábitos para conseguir criar mais tempo àquele que teima em fugir e não voltar nunca mais.
Espero conseguir ter mais tempo para este meu espaço que apesar de ter estado numa espécie de stand by continua a ser o espaço das minhas alegrias e tristezas.

terça-feira, 29 de março de 2011

Aulinha Para Que Te Quero

Todos nós já passámos por situação caricatas e a minha não foi excepção.
Eu e a minha irmã Tânia tínhamos acabado de almoçar e fomos fazer uma breve revisão para a frequência que iríamos ter a seguir.
Vi várias vezes as horas e dizia são 13:30, agora são 13:40... Até que fomos para a aula.
Chegámos à porta da sala e reparámos que estava cheia, os nossos colegas tinham os cadernos em cima da mesa, tiravam apontamentos.
Ficámos sem saber onde nos sentarmos e seguimos para o fim da sala. O prof ainda disse que havia lugar à frente para quem se tinha atrasado, mas nós não percebemos o que se estava a passar ali.
Assinámos e folha de presenças e eu fiquei a olhar para o ambiente e tentei localizar-me no espaço. Será que o professor está a fazer uma revisão antes do teste? - Perguntei a mim mesma. O professor falava sobre Linguagem corpora e eu a pensar para mim Linguagem o quê? Hum???
Em toda a sala se ouvia um barulhinho de fundo e pouco depois...
- A nossa aula será agora nesta sala já não haverão mais mudanças, até à próxima semana.
Fiquei a olhar para os meus colegas a se levantarem e a arrumarem os matériais e nisto a Tânia foi falar com o prof a perguntar pelo teste e sobre a aula.
Conclusão da história: Entrámos para ter 5 minutos de aula, visto que eram já 15h e não 14h como pensávamos.
Fizemos figura de otárias por 5 minutos sem saber.
Até o professor se fartou de rir com a história.

domingo, 20 de março de 2011

Sem Escolha

Encurralada.
Não tive muito por onde fugir.
Os dias passavam, os anos chegavam ao fim, mas o sentimento estava aqui tal como na primeira vez que te vi.
Transformei-me numa mulher fria, cruel, dura, sem sentimentos para ti.
A chama que antes tu vias no meu olhar foi tapada pelo meu coração para que não lhe conseguisses ver a sua luz forte e brilhante. A chama do meu amor por ti queimava-me por dentro e isso doía.
Tive de escolher um caminho, o mais cruel - Deixar-te de vez.
É muito bonito quando existem pessoas que comandam a nossa vida, o nosso destino, mas esquecem-se de um pormenor que muda tudo, todos nós temos sentimentos e sonhos.
O meu sonho eras tu e sempre foste.
Fui obrigada a ir ter contigo, dizer-te que já não te amava mais. Só assim é que eu te pude salvar.
Preferi ferir-te do que dizer-te que te amava.
Se o dissesse estaria a condenar-te à morte e eu seria a mão que te entregaria direitinho às chibatadas.
Não fui capaz.
Preferia ser eu ali do que tu, e mesmo que fossemos os dois, isso iria doer-me mais.
Se eu te dissesse que te amava e que não poderias voltar comigo, tu ficarias quieto no teu canto?
Tu irias logo atrás de mim num fechar de olhos.
Como dois apaixonados são doidos.
Preferi olhar para ti olhos nos olhos e dizer o meu discurso. Um discurso tão bem treinado que até parecia ser verdade. Treinei durante tanto tempo...
Preferi ficar sem ti para poderes viver.
Mas isso não significa que não te diga um "AMO-TE" sempre que te vejo.
Preferi mentir a ti e a meio mundo, mas a mim eu não me engano. 
Não consegui esconder muito mais e fui julgada por todos.
A Medina estava ali em peso a verem como se trata quem não cumpre com os mandamentos, depois disso nada mais...
Vi todos os nossos momentos e depois uma luz.
Nada mais.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Desequilíbrio Emocional

Nem sempre encontramos as pessoas certas na nossa vida.
Cometemos erros que nos servem para crescer, mas será que algumas pessoas crescem com os seus próprios erros?
Ao longo da minha vida conheci gente que me quis bem e outras que me quiseram simplesmente por interesse, mas o problema é que nem sempre nós queremos as pessoas por interesse e quando isso é assim, somos nós que saímos sempre mal no meio da história.
Foco este assunto por um simples motivo. Nem sempre somos esquecidos por aqueles que não nos merecem e isso é sinal de um desequilíbrio emocional por parte da outra pessoa.
Se não falamos nela, não pensamos nela, nem tão pouco giramos em torno dela, porque razão essa pessoa não nos deixa viver a nossa vida em paz e sossego?
Conheci pessoas que ainda hoje fazem isto e tudo por interesse.
O que ganharam com isso, ainda hoje estou para saber, pois de mim não levaram nada a não ser um desprezo enorme.
Chegam aqui aos blogs e fazem comentários como se fossem os reis e senhores do universo, como se soubessem tudo da vida de uma pessoa, quando na verdade nem da deles eles sabem.
São chamadas anónimas, comentários anónimos, nomeadamente com mensagens que têm como fim meter medo ou criar receio de algo.
Atenção a uma coisa quem se deixa intimidar é aquele que faz mal e não aquele que está no seu cantinho sem fazer mal a uma mosca. Por isso o engraçadinho que tiver a dita de fazer o que foi descrito, aviso já que é uma falta de tempo.
Só demonstra o desequilíbrio emocional que a pessoa tem.
Um concelho. Arranje uma vida e mude-se.
É triste quando alguém vive a sua vida pensando na vida de outra.
Apesar de demonstrar o seu desequilíbrio, demonstra também a sua falta de educação para com os demais.
Na minha terra sempre ouvi dizer que não é bonito meter-se na vida de pessoa alheia e como tal não o faço.
A vida continua para a frente.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Por Entre Véus

Desci as ruas na expectativa de apanhar um pouco de ar fresco pela tarde.
Os dias estavam a ser muito bons e quentes.
Procurei pela minha irmã e lá fomos nós comprar mais roupas e véus.
Zoraide nos esperava em casa. Decidimos que seriamos nós a fazer o jantar e ela continuava sentada na sua cadeira perto da janela à espera de nos ver. Assim que chegámos mostrámos-lhe as iguarias que tínhamos comprado e fizemos cus cus.
A nossa família adorou o jantar que nós lhes proporcionamos e no final, nós mulheres decidimos ir para uma parte da casa onde nenhum homem estaria convidado a entrar, pois é pecado, haram.
Vestimos os nossos novos fatos. Eram lindos e vivos.
Há já algum tempo que tínhamos criado uma nova curiografia e decidimos mostrá-la à nossa família e convidadas.
Colocámos a música a tocar e lá entrámos nós. Estávamos felizes e alegres.
Dançar faz bem ao corpo e à alma. Alivia o stress diário e faz-nos descobrir mais um pouco do nosso próprio corpo.
Decidimos dançar a dança dos 7 véus.
Estávamos bem quordenadas. Se um véu ia para a direita o outro lenço igual ao outro na outra pessoa também seguia essa trajectória.
Todas nos estávamos a divertir, até que vimos duas caras e quatro olhos a olharem para nós fixamente por entre véus.
Ficámos ali as duas a dançar e a olhar atentamente para aqueles dois que ali estavam.
Nenhuma mulher tirando nós, percebeu o que se estava a passar. Conseguimos fazer tudo sem que mais ninguém notasse que estavam ali os homens que nos amavam verdadeiramente. Seria um grande haram e uma grande vergonha para a nossa família.
No final conseguimos ajudá-los a sair pelas traseiras, por entre véus.
O mundo oriental tradicional é mesmo assim.
Um beijo de despedida foi o que nos bastou para acalmar e ao mesmo tempo acelerar os nossos corações que desejavam sair dali para fora e ir para um mundo exterior, onde a mulher não fosse obrigada a casar-se segundo aquelas tradições e sim com quem a nossa alma amava.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Nas Areias do Deserto

Vagueei pela Medina apenas com o meu olhar à vista dos demais. Ninguém me poderia reconhecer naquela que seria mais uma das muitas saídas até ao homem de quem eu amava. O som do mercado significava que o dia estava prestes a terminar e as pessoas estariam em casa, mas eu não voltaria assim tão cedo.
Havia uma festa onde véus e saias iriam voar através de corpos sensuais que dançavam ao som de dança do ventre.
Fiquei por lá durante uma hora a dançar. O meu sari cor de rosa clarinha definia a minha silhueta em todos os meus movimentos. Passado uma hora cobri-me novamente com o meu véu e sai para o meio da escuridão.
O ar estava quente e com o seu cheiro doce habitual.
Corri até ao nosso porto de abrigo, onde mais ninguém nos iria encontrar na tamanha felicidade que nos unia.
Senti que estava na altura e na hora de dar aquele passo. Jamais seria outro se não ele.
Percorri o longo caminho de pilares e labirintos.
Começou a chover.
Olhei para o céu contemplando a sua cor.
Estava na hora.
Observei-o através das sombras sem que ele me visse. Contemplei a sua beleza inconfundível,o seu cabelo, os seus olhos, o seu nariz, os seus lábios...
Surgi-lhe por entre as colunas, ele via-me e aproximava-se, mas eu afastava-me.
Fui despindo a minha roupa molhada sem que ele se desse conta, ficando apenas com a roupa da dança do ventre.
Comecei a dançar e a fazer o meu jogo de sedução.
Ele assistia de olhos esbugalhados e brilhantes sem conseguir acreditar que eu estava ali a dançar para ele.
Fui aproximando-me devagarinho dançando com o véu à minha volta formando uma espiral.
Ele chorava e ria-se ao mesmo tempo.
Cheguei finalmente ao pé dele e envolvi-o com o meu véu. Abraçamo-nos.
Andámos por colunas e pilares de outras eras, de mãos dadas.
As paredes que nos protegiam tornaram-se assim em testemunhas da nossa entrega.
O som da areia a passar perto de nós fazia o tempo e o lugar mudarem como nas areias do deserto.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Escolha

O que é que me queres? - Gritei esta pergunta ao vento sem pensar.
Fiquei surpreendida comigo mesma. Há já algum tempo que não gritava assim.
Apenas quero a minha liberdade e nada mais.
 É triste quando nos cazam com alguém que não amamos e que somos forçadas a tal apenas porque a família assim o deseja.
Olhei para o horizonte na esperança de um sinal que me dissesse o que devia fazer mas nada. Nem o mais leve arrepio provocado pelo vento. Nada. Apenas o vazio.
Uma lágrima traiu-me e deslizou pela minha pele macia até embater sobre o chão frio.
Deslizei o olhar do horizonte e olhei para o céu. Estava a ficar escuro a cada minuto que passava. Uma tempestade estava prestes a surgir.
Um relâmpago surgiu e poucos momentos a trovoada.
Na minha cabeça a pergunta persistia e teimava em não me querer deixar em paz.
Desci aquele precipício rochoso na esperança de chegar à encosta antes de começar a chover.
Olhei para trás na esperança de ver um sinal que eu já sabia não haver, mas o que é que eu poderia fazer?
Não gosto de viver num mundo de ilusões em que o maior prejudicado é aquele que se deixa iludir.
Corri o mais rápido que pude até à encosta, com o coração aos saltos da corrida e não só. Algo se aproximava e eu sentia-o.
Encostei-me a uma rocha para recuperar o folgo e o sinal que eu tanto esperava ali estava.
Uma outra lágrima traiu-me e ele viu.
Não valia a pena eu dizer que não. Ele já sabia da verdade toda em relação ao que eu sentia por ele. Mas eu não conseguia mudar as coisas e ele sabia o que isso implicava. Eu estava encurralada.
O meu marido apareceu do outro lado do caminho e viu que afinal eu ainda não tinha esquecido aquele homem que se encontrava à minha frente implorando que eu fugisse com ele.
A minha dor foi maior que eu própria e deixei-me cair.
Eu pedira tanto a Deus que aquele momento não chegasse, mas o Homem não deve mudar as escolhas de Deus, e se era aquilo que estava escrito, então que fosse assim.
Vieram homens de vários lados que nos agarraram.
Eu não conseguia tirar os olhos de cima do homem que eu realmente amava.
Os nossos olhos é que nos denunciavam.
As lágrimas bloquearam a minha visão.
Depois mais nada.
A chuva começou a cair.
Ficámos a olhar um para o outro, dizendo juras de amor que nunca se iriam realizar, mas quem sabe numa outra vida isso poderia acontecer tal como desejávamos agora.
Uma trovoada arrebentou mesmo por cima de nós e foi tudo.
Demos as mãos um ao outro sem olhar para trás.
Tínhamos a eternidade toda à nossa frente.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Palavras Por Dizer

O oceano pode ser infinito
E confundir-se com o azul do céu
Mas por entre ele
Alguém visualiza o que acontece à frente do seu véu

A noite chegara sem avisar
Dois seres pernoitam entrelaçados
Por entre as areias quentes do deserto
Que cantam as suas melodias de hipnotizar

O pôr do sol nunca antes visto
É lindo e perfeito aos seus olhos
Que se emocionam com tamanha beleza
Sem nunca largarem as mãos

Palavras que nunca foram ditas
São agora vistas
Olhares penetrantes que dizem e que choram
Tudo o que o coração dita

São gestos que duraram
Por entre a noite fora
Nas areias quentes do deserto

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A Música Nos Dias De Hoje

Hoje em dia o que está mais na moda são as músicas de discotecas, remix de êxitos de outros tempos e música comercial que é apenas boa ou não para o ouvido.
Onde é que estão os bons músicos que evolucionaram a música para que hoje existisse o que passa nas rádios?
Onde é que estão os bons compositores e poetas que compõem as suas músicas e escrevem os seus poemas?
Tudo isto parece estar em vias de extinção.
O homem cria e destrói o que cria com as suas próprias mãos. E a música é uma delas.
Noto que a cada ano que passa, a música fica cada vez pior, mas é aqui que existe a grande diferença.
A música é uma arte usada pelo homem, para exprimir os seus sentimentos mais profundos, sejam eles bons ou maus e nasce uma música.
A música é o espelho da alma.
Onde é que estão as bandas que contribuíram na história da música e na sua evolução?
Infelizmente o mundo da música é muito traiçoeiro e nem sempre as coisas são justas. Vou focar um exemplo muito bom para esta pergunta que referi.
Há mais de 20 anos existiu uma banda que contribuiu com a evolução da música e criou assim, um novo estilo de música e até uma nova imagem.
As músicas da banda eram originais seus e que falavam das suas vivências pessoais.
Pergunto novamente. Onde é que estão estas bandas?
Estas bandas estão representadas nas músicas que ouvimos hoje. Estão cobertas por um nome que não é o seu. Cobertas por nomes e vozes que não são as suas verdadeiras vozes.
São músicas que renasceram para serem trabalhadas novamente e assim saírem dos seus momentos de glória e ficarem esquecidas no tempo. São músicas perdidas no vento que vão em busca da verdadeira voz que lhes deu vida.
Será que é mesmo preciso matar-se a música?
Se a música não nos quer abandonar, então porquê abandoná-la?
Por favor criam boa música e deixem a música antiga, porque esses tempos não voltam mais. Uma renovação seria óptima e se passassem música decente nos bares e discotecas os tempos seriam bem melhores.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Ao contrário

Senti-me tonta por instantes sem saber o que estava a acontecer.
Ao meu lado algo se aproximava. Era fumo.
Sentei-me no baloiço abandonado que baloiçava lentamente.
As sombras regressavam às suas armadilhas e artimanhas. De repente o mundo mudou.
Tudo estava descontrolado naquele lugar.
As pessoas continuavam com as suas rotinas normais, sem se darem conta de que algo estava a acontecer.
Fechei os meus olhos e agarrei-me fortemente às correntes de ferro.
O tempo passou devagar.
Abri os olhos.
Estava tudo de pernas para o ar.
Olhei para o resto e reparei que eu era a única assim.
A minha vida deu uma grande volta.
Tudo estava agora diferente na minha visão do mundo.
As nuvens embalavam o meu baloiço cantando uma melodia doce e suave aos meus ouvidos.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Dark Queen

Dark Queen reinava o seu país com sabedoria e delicadeza, mas nem tudo era soberano.
Ficou doente por uns tempos e quando melhorou descobriu que nada iria voltar a ser como antes.
Ela era uma outra pessoa.
Após tantas noites sentada junto à sua janela, decidiu finalmente em descer até à floresta e aí meditou sobre o que se estava a acontecer.
O ar nocturno era forte e frio. Ela entendeu que não valia a pena ficar a pensar sempre no assunto pois não iria chegar a mal nenhum e o mal já estava feito.
Decidiu entrar mais a fundo na floresta e descobriu as suas maravilhas.
Afinal não estava sozinha na sua dor.
Tornou-se numa rainha mais branda nas suas decisões e escolhas. Começou a vestir-se de cores mais escuras.
Veio assim o seu nome Dark Queen - a Rainha Negra.
O seu povo venerava as suas escolhas por serem justas, mas eles não sabiam o que aqueles olhos castanhos brilhantes e hipnotizantes escondiam.
Dark começou a ficar mais resguardada do mundo para que a sua verdadeira identidade não fosse descoberta, mas não o pode fazer por muito tempo.
Ela estava mais bela do que nunca.
Dark Queen era vampira.

Um Novo Começo

A maioria das pessoas comentam nesta altura o que desejam realizar para o novo ano que começou no passado sábado. Eu não sou excepção, tirando o facto de que não tenho desejos e não idealizo um desejo em particular.
Idealizo o que sei que tenho em minha pose e o que está prestes a chegar até mim, pois é trabalhando que se chega a algum lugar e não desejando o objecto A, B ou C.
Mais um aninho se passou por nós.
O tempo parece que voou bem depressa para nos arrancar certos acontecimentos, mas ao mesmo tempo encher-nos de memórias, esperanças, tristezas, alegrias, muitos sorrisos...
Visto que este é o primeiro post deste ano de 2011, desejo a todos os que seguem o meu blog e os que passam por cá para dar uma vista de olhos, um feliz ano novo.