O tempo passa por mim avisando-me que as coisas ficam registadas no tempo, uma barra cronológica de acontecimentos uns importantes, outros menos, mas que nos moldaram e nos moldam ao que somos hoje.
Perdida no tempo percorro entre vales distantes da minha memória, onde o vento doce toca na minha pele suavemente. Fecho os meus olhos na esperança de puder ir atrás no tempo, não para o corrigir, apenas para voltar a ver o teu rosto diante de mim e poder trazer-te comigo para o presente.
Os dias passam a correr e tu ali continuas deitado naquela cama que me transmite uma mistura de sentimentos, incertezas, certezas, esperanças... como é injusto.
Olho para o teu rosto tentando visualizar-te naquela cama, onde dormes profundamente durante meses. Não consigo acreditar que foi ali que foste parar depois de tudo o que nós vivemos os dois.
Pego numa fotografia tua, dou-te um beijo e desenho todos os teus contornos com o meu dedo. As fotografias não conseguem igualar a tua beleza por inteiro, apenas a tua imagem do momento.
Falo contigo através daquela imagem, a imagem que te imortalizou quando te encontrei. Lembras-te?
Depois de tanto sonhar contigo e de ir à tua procura, decidi por fim escrever-te.
Escrevi-te uma carta ao luar usando apenas velas para conseguir ler o que ia escrevendo no meio de lágrimas.
Ao longo da carta perguntei-me como é que irias reagir ao lê-la, será que irias conseguir recordar aquele almoço cheio de risos e brincadeiras?
Irias recordar o quão importante és para mim e o quão importante sou para ti?
Hoje estás comigo no meio da tua inconsciência que te impossibilita de saíres daquela cama. Pergunto, porquê a ti? Porquê a nós?
Todos os dias penso em ti, de como estarás. Apenas temos um oceano a nos separar, mas o que é que isso interessa?
O amor é assim mesmo, não existem barreiras, apenas obstáculos que nós humanos criamos por defesa.
Observo os aviões todas as noites e pergunto-lhes "Quando é que me levas contigo?". Quero ver-te, preciso de ver-te, tocar na tua pele, dar-te um beijinho na testa ou nas tuas bochechas. Quero sentir que ali estás realmente e que me sentes, não como antes mas mais intensamente.
Não te quero ali, até porque ali não é o lugar certo para os anjos. Quero-te comigo, com os teus amigos, com a tua vida para a frente.
Acordei silenciosamente do meu sono profundo. É normal sonhar contigo, mas não assim desta forma.
Ainda sinto o doce dos teus lábios nos meus, o meu coração aos saltos...
Sonhar contigo é ter-te sem te ter, durante um simples momento.