Senti que o tempo iria mudar poucas horas antes de apareceres.
Desci o caminho até ao mar, onde as nuvens se acumulavam, onde as ondas dançavam por baixo da grande falésia.
Olhei para o abismo sentindo um deja vu.
Naquela vez alguém implorou que eu não saltasse e eu saltei.
Senti a enorme força de querer viver em paz e a vontade de querer continuar a lutar.
Dei um passo para trás.
Arrepiei-me com o flash de me ver voltar a cair num abismo que já me consumira outrora.
A tempestade voltara para me assombrar.
Decidi não fugir, fugir não é para mim, isso é para os fracos.
Escureceu de repente e apareci noutro local.
Ao longe ouvia-se o som das ondas como se estivesse dentro de algo a abafar o som.
Lutei para me soltar daquele bandido de duas caras que se tentou apoderar-se de mim.
Agarrei-me a tudo o que acredito para que aquilo acabasse de vez e o tempo parou.
Acordei em baixo da falésia sentindo a água do mar passar por mim.
Desejei que tudo acabasse neste tornado de emoções que me trespassam e que me tentam consumir por dentro mas sem sucesso.
Nada era saudável e fugir só iria piorar mais a situação.
Deixei-me ficar ali deitada a recuperar forças para mais uma investida da tempestade.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
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