Preferi esconder-me nas sombras e ver as coisas acontecerem à minha volta.
Apareceste sem que te pedisse e ali ficaste tu a tentar estragar o que fora construído por mim.
Mudei.
Apareci e não foste capaz de me identificar.
Os meus olhos estavam diferentes perante a revolta que sentia dentro de mim.
Ali estava eu, a verdadeira eu, na luz onde tu me poderias ver sem medos, mas tu não me viste.
Teimaste em chamar-me por um nome que não é o meu.
Teimaste em voltar a negar tudo, mesmo com as cartas em cima da mesa.
Tentaste seduzir quem não se deixa seduzir por ti.
Tentaste em vão destruir o céu, mas foste engolido pelo oceano.
O monstro apareceu.
A tua verdadeira cara apareceu, mas mesmo assim teimaste em me dizer que não.
Virei-te as costas e não gostaste.
Decidiste vingar-te de algo que não tem sentido.
Tentaste atingir-me, mas falhaste o alvo.
Quando pensaste que me atingiste ao fim de várias tentativas falhadas, fingi que tudo acabara ali. Aproximaste-te de mim com a tua verdadeira identidade, aquela que me ocultaste durante o início.
Eu continuava ali a jazar no chão frio à tua espera, à espera do meu momento de glória.
Todos os meus sentidos estavam apurados. Tudo tinha de ser como eu queria e não como tu desejavas.
Olhas-te para a minha cara pálida com os teus olhos vermelhos de fúria e da mais profunda crueldade.
Deste-me um pontapé para te certificares que eu já era.
Não me doeu. A dor da alma era maior que a física.
Ouvi os teus passos a afastarem-se e aí te ataquei.
A tua face fora finalmente revelada.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
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2 comentários:
Uau...
Se na vida real fosse assim...quer dizer,há pontapés que se dão e doem mais, os da alma sim, esses doem mais. São esses que tens que dar na hora de atacar entendeste a mensagem? ;))
Claro, mas se reparares bem neste post, eu escrevi de maneira "abstrata". Apenas quem tem vivido isto é que entende quem é a identidade oculta e tu sabes perfeitamente de quem é que eu estou a falar.
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