Decidi andar, apenas por andar.
Alguém olhava-me através da janela com um olhar curioso. Não me atrevi a olhar directamente para saber quem seria. Parecia que todos os olhos daquela casa estavam colados às minhas costas.
Fui em direcção à floresta.
As árvores altas pareciam tocar no céu, os pássaros dançavam entre os ramos.
Percorri um longo caminho sem olhar para trás, ouvindo apenas o som dos meus passos.
Quis parar de pensar nas coisas que teimavam em assombrar-me, mas parecia impossível.
Parecia que eu tinha sido a escolhida para aquela história, em que tudo não passava de enleios e mais enleios.
Sentei-me numa árvore que se encontrava caída.
Comecei a sentir-me livre, uma liberdade que já não sentia há muito tempo.
Levantei-me com os olhos fechados, sorrindo para mim.
Como foi bom sentir algo a levitar dentro de mim.
Uma felicidade que crescia a cada segundo.
Começou a fazer vento e abri os braços.
Parecia que voltara à minha infância.
Abstrai-me de tudo e ali estava eu a cantar e a dançar com um enorme sorriso nos lábios, fazendo daquele cenário um dos mais belos em que se pudesse estar.
Eu saltava e brincava de um lado para o outro, encontrando uma borboleta aqui, outra acolá, um passarinho a tentar voar, animais selvagens...
Passei a noite quase toda naquela festa.
Com a emoção que tinha, decidi ir explorar mais um pouco e foi aí que vi o que sempre me fazia pensar que a floresta não tinha só árvores e seus habitantes.
Um protótipo de pedra que dava acesso a algo que não estava indicado no mapa.
Olhei para ele com curiosidade, toquei na pedra dura e fria.
Caminhei para o local que ele guardava.
O vento ganhou mais força e ali à minha frente encontrava-se um enorme jardim em forma de labirinto e ao fundo uma mansão.
Algo voou na minha direcção, apanhei-o. Era um colar com um coração de um vermelho quase a tingir o preto. Observei-o cuidadosamente e meti-o ao pescoço.
Dirigi-me ao magnífico jardim que ali se encontrava. Ouvia-se uma cascata lá próxima.
Observei as flores e reparei que a maioria eram rosas vermelhas quase pretas.
Ao longe ouvia-se uma melodia que parecia fazer parte do belo cenário em que me encontrava.
Sentei-me num baloiço escutando atentamente aquela música calma e bela. Deixei-me dormir naquele paraíso.
sábado, 4 de setembro de 2010
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3 comentários:
Tou arrepiada,tá tão bonito.
O que é escrito na primeira pessoa
faz-nos sentir que somos nós a protagonista da
história.E tá tão lindo,tudo,as paisagens,os detalhes ,promenores e é sempretudo a decorrer como mudando dum cenário para outro.
É assim que eu gosto de ler um livro,não é monótono,enfadonho como alguns bestsellers de
autoras em voga no nosso país.
Calem-se suas serigaitas de nariz empinado.
Agora é a vez de Gisela ,quais Margaridas e Claras Correias e outras enjoadas?
Beijinhos.
Obrigada pelo teu comentário tia.
Eu escrevo o que sinto e vivo o que escrevo. Tento descrever o que vejo na minha mente.
Ainda bem que gostas tanto do que escrevo. Isso motiva-me para escrever mais.
Espero escrever mais deste género, que não és tu a única a ficar de olhos arregalados com este tipo de histórias.
Beijinhos
Abençoada mente produtiva,a tua, se tem
esse mundo maravilhoso aí dentro.
Força,continua a pôr para fora
esses sentimentos e essa fantasia fértil
que desconhecia em ti.
Estuda,alguém como tu tem que sobressair
neste marasmo de gente pouco ambiciosa
de se atrever a ser como tu.
Até já.Beijinhos.
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