Por vezes sinto que tudo isto não passa de um sonho e que vou acordar para a realidade, mas a verdade é que o sonho é a própria realidade.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A Fuga

A noite fora de temporal.
O cheiro da terra molhada fez-me lembrar de um passado próximo.
Toquei nas folhas molhadas pela chuva e lembrei -me do toque das gotas da chuva no meu cabelo e no meu rosto.
O céu estava a ficar novamente carregado e muito escuro para aquela hora matinal.
Nas cavalariças os cavalos estavam agitados, confirmando assim o que eu temia.
Não iria ser só chuva, a tempestade seria muito pior.
Voltei para casa e preparei-me para a minha viagem de cavalo.
As minhas vestes pretas eram perfeitas para a fuga.
Ninguém me poderia reconhecer e como tal usei roupas que ninguém viu e inclui a capa que eu desenhara.
O plano era perfeito, pois até o cavalo iria ficar irreconhecivel.
Tratei de tudo ao pormenor.
Eu de preto e o cavalo também.
Fui para a cavalariça e vesti o meu cavalo, estava mesmo irreconhecivel.
Olhei para ele e ele acalmou-se. Disse-lhe que iria tudo correr bem e ele fechou os olhos.
Voltei para casa e tratei de mim.
Ninguém me podia ver a cara.
Quando já estava pronta para a partida, andei com muita cautela. Eu era uma sombra no meio daquele casarão.
Passei por um quatro deserto e deixei lá uma carta explicando a razão de tal desaparecimento.
Pensei em todos os que amo ao chegar à grande porta. Eles só estariam seguros se eu saísse dali.
Corri para a cavalariça e comecei a minha longa viagem.
Ao longe ouvia-se um trovão, o meu cavalo começou a correr cada vez mais...
Andamos sem parar durante horas, não podíamos parar, se parássemos seria o fim.
Mais um trovão e desta vez um disparo a poucos quilómetros.
Parecia que eu e o meu cavalo tínhamos um elo de ligação que era possível ter os mesmos pensamentos. Não precisei de o conduzir para se afastar dos disparos ou para ser mais veloz, ele próprio sabia quando devia ser mais selvagem.
Percorremos a grande velocidade sempre a ouvir gritos de grande frustração por parte daqueles que nos perseguiam. Estavam muito longe de nos acertar, mas mesmo assim continuavam a disparar.
Subimos por um carreiro íngreme que nos iria levar para o sitio que eu escolhera.
O meu cavalo estava cansado mas mesmo assim não desistiu e continuou a correr.
Ao chegarmos levei-o e tratei dele.
Este novo casarão não era visível lá de baixo e assim era impossível chegarem até cá.
A chuva apagou todo o rasto.
Agora era apenas uma questão de tempo, até poder meter todos os pontos nos "i's" e preparar-me para o derradeiro jogo sujo que me prepararam.

Sem comentários: