Por vezes sinto que tudo isto não passa de um sonho e que vou acordar para a realidade, mas a verdade é que o sonho é a própria realidade.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Destiny

Olhei para os teus olhos sentindo que os conhecia de algum lado.
No meu interior algo me dizia para não arriscar mas a outra dizia e gritava para que o fizesse.
Escolhi o que me dizia para ir em frente e entrei num mar negro em que ninguém deveria nadar.
Conheci-te.
Todos os momentos eram arriscados.
A maré subia a cada dia que passava até ficar num azul negro quase preto e nasceu a distância.
A distância era negra, sombras habitavam em cada esquina sem que me desse conta delas, tentando a sua sorte para entrar num outro local.
Fiz a mesma pergunta a mim várias vezes - "o que é que não está certo aqui?". A resposta é TUDO.
Nada esteve certo, nada foi o correcto para ambos.
Nada deveria ter começado como começou.
E se tivesse mesmo de ser assim?
Confusão é a melhor palavra que significa isto tudo mas não.
Não interessa se os acontecimentos se deram daquela forma.
Aconteceram.
Por vezes nem tudo o que nos é destinado pode ser nosso.

Aguentar

Senta-te e pensa que tudo não foi em vão.
Chora e pensa que aprendeste algo com o que viveste.
Corre para deixares de pensar que sempre tiveste razão quando na verdade não foi assim.
Criaste o céu e a luz que te iluminava a tua cruel face, misturando imagens que faziam acreditar seres uma coisa quando na verdade eras outra.
Ilusão.
Aguentas-te firme na cama que construíste e que buscaste para ti.
Todo agora começou e tentas ser forte, agarrando algo sem bases.
Desceste do cadeirão do palacete observando o espaço à tua volta.
Destruição.
Olhas para trás e lembraste daquele brilho que ignoraste outrora.
A tua opinião continua a ser a mesma, nada em ti mudou entretanto.
Aguentas agora com aquela sombra.
A sombra do teu passado. 

domingo, 28 de novembro de 2010

Entre Enleios

O chamado efeito "novelo de lã" quem não o conhece?
É um nome dado a enleios que são criados por pessoas que se dão ao trabalho de se meterem na vida dos outros e que dedicam todo ou a maioria do seu tempo em perseguições e em criar novas histórias sobre outros.
O novelo de lã começou há já muito tempo mas teima em querer continuar a dar as suas voltas.
Acreditaste em histórias falsas sobre nós mas para ti quem te contava essas mentiras era santa e soberana sobre qualquer um. Era a sabedoria em pessoa.
Se o que tu visses fosse preto e ela te dissesse que era azul então seria azul, mas se eu te dissesse que a cor era preta em vez de azul seria eu a que não sabia o que dizia, a que mentia.
Deste ouvidos ao que não me conhece, quando afinal de contas tu conhecias mais de mim do que daquele ser que nunca o viste nem mais gordo ou magro.
Traíste a amizade que ambos construimos em base do que ouvias e criaste enleios, muitos enleios.
A tua mente é confusa, bastante confusa para mim.
Se de num momento eu acreditava em ti tu conseguias mudar logo a minha opinião sobre ti com todas aquelas atitudes que feriam e matavam.
O mal que te fiz assumi já mil e uma vezes e afirmá-lo-ei as vezes que forem necessárias para que isto acabe de vez.
O meu maior mal foi ter-me apaixonado. Esse sim foi o meu mal.
Mas como não se pode chorar por leite derramado só me resta olhar para trás para poder seguir em frente sem mais enleios.
Tu és um enleio em pessoa.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Frio

Frio, muito frio. É esta a temperatura que me acompanha sempre que me lembro de ti.
Frio, gélido, arrepiante.
Antes foras para mim como uma chama quente, muito quente, que era capaz de dar calor a muitas pessoas. Um calor capaz de tudo.
Agora é frio, muito frio.
Este frio faz com que as plantas morram à sua passagem, as folhas caiem da copa das árvores tingidas de preto.
Tento apanhar as pequenas folhas antes que elas cheguem finalmente ao chão. Ninguém merece um fim como este.
Recuo no tempo tentando perceber o que aconteceu mal naquele passado que continua bem presente na minha memória como se não houvessem paragens pelo meio.
Visualizo todas as vezes em que havia um toque de dedos, de mãos, de almas.
Até nessa altura tudo era frio.
O calor que eu pensava vir de ti era afinal de contas meu, só meu.
Iludi a mim mesma que o que é verdadeiro é possível, mas esqueci-me que mal já ali residia.
Iludi-me a acreditar no impossível.
Iludi-me a amar-te.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Fallen

Lembraste de mim?
Sou apenas uma sombra no recanto da tua mente.
Em tempos estive perto de ti sem que me visses.
Hoje descobri que não passei de uma mera sombra que se juntou ao vento.
Perdi-me no Mundo quando cá cheguei sem nada saber.
Perdi-me quando os nossos olhares se cruzaram.
Por vezes chamei o teu nome nas noites frias daquele inverno distante no tempo, mas não distante na minha memória.
O que eu daria para poder voltar a sentir a luz e o calor do sol na minha cara, como aquele que me iluminava o caminho antes de te ter conhecido.
O que eu daria para me perder nos olhos daquela alma que fora tua outrora.
Vim de uma estrela muito distante deste recanto do Mundo e caí para junto de ti porque te amei.
Caí no dia em que te ouvi chamar o meu nome.
Acreditas em sonhos?
Foi assim que encontrei aquele menino que tinha um olhar meigo.
Acreditei nele e depositei a minha fé, naquele ser que era acompanhado por um grande brilho no olhar, mas tempo depois descobri que fora tudo em vão.
Desapareci.
Transformei-me numa sombra.
Vagueio nas florestas que me aconchegam nos meus momentos de dor, nos momentos de maior aflição.
Esperei poder voltar a ter mais uma noite na terra, para poder passar em frente aos teus olhos como uma miragem.
Quero voltar para a minha terra onde tudo é brilhante e onde tudo é verdadeiro.
Peço-te que me libertes dessa tua mente pesada que esmaga a minha sombra, uma parte da minha existência, pois tu não mereces o que vivi contigo.

Nightmare

Olhei-te nos olhos e vi uma brecha de felicidade no teu rosto.
Olhaste para mim e seguiste com o teu caminho.
Há muito que me vias e me observavas.
Quis seguir com o meu caminho para a frente, mas foi impossível. Sempre que dava um passo eras tu quem aparecia no meio daquela esquina a olhar para o ser que não te conhecia.
Sentei-me naquela doca pensando no que estava a acontecer à minha volta.
Fechar os olhos seria impossível no meio de tanta claridade que se transformou em pouco tempo em algo sombrio.
Pensei que estaria a sonhar e quando acordei vi que estava num grande pesadelo.
Segui com o caminho com a fé que me restava.
Como poderiam as vidas de duas pessoas mudarem tão drasticamente?
Mergulhei num oceano perigoso que não deveria ser atravessado.
A maldade já lá estava mas não fui capaz de vê-la nesses teus olhos que me iludiram durante meses. 

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Escuridão

Grandes ventos se apoderaram do ser escolhido.
O caminho à sua frente era invisível.
Olhando para trás, para a frente, à direita e à esquerda apenas via nevoeiro.
Chovia naquele local e ele apenas andava, usando todos os seus sentidos para se guiar naquela encruzilhada.
Seguiu o longo caminho em busca do real, mas apenas via cinzento.
Perguntou a si próprio se os carros e as casas seriam reais, se as pessoa se davam conta das coisas que acontecem à sua volta, se é possível alguém não ter medo em socorrer um indefeso.
Perguntas sem fim inundaram a sua mente já perdida no tempo.
Fechou os seus olhos e visualizou o seu objectivo: acabar com a escuridão de uma vez por todas.
Deu um passo na ponte que se estendia a seus pés.
Não quis voltar a olhar para trás, olhar para a dor e para o sofrimento de há muito tempo.
Sorriu para si mesmo, pensando que a cada minuto que passava, o fim estaria próximo.
Começou assim a sua caminhada na escuridão.