Por vezes sinto que tudo isto não passa de um sonho e que vou acordar para a realidade, mas a verdade é que o sonho é a própria realidade.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Escolha

O que é que me queres? - Gritei esta pergunta ao vento sem pensar.
Fiquei surpreendida comigo mesma. Há já algum tempo que não gritava assim.
Apenas quero a minha liberdade e nada mais.
 É triste quando nos cazam com alguém que não amamos e que somos forçadas a tal apenas porque a família assim o deseja.
Olhei para o horizonte na esperança de um sinal que me dissesse o que devia fazer mas nada. Nem o mais leve arrepio provocado pelo vento. Nada. Apenas o vazio.
Uma lágrima traiu-me e deslizou pela minha pele macia até embater sobre o chão frio.
Deslizei o olhar do horizonte e olhei para o céu. Estava a ficar escuro a cada minuto que passava. Uma tempestade estava prestes a surgir.
Um relâmpago surgiu e poucos momentos a trovoada.
Na minha cabeça a pergunta persistia e teimava em não me querer deixar em paz.
Desci aquele precipício rochoso na esperança de chegar à encosta antes de começar a chover.
Olhei para trás na esperança de ver um sinal que eu já sabia não haver, mas o que é que eu poderia fazer?
Não gosto de viver num mundo de ilusões em que o maior prejudicado é aquele que se deixa iludir.
Corri o mais rápido que pude até à encosta, com o coração aos saltos da corrida e não só. Algo se aproximava e eu sentia-o.
Encostei-me a uma rocha para recuperar o folgo e o sinal que eu tanto esperava ali estava.
Uma outra lágrima traiu-me e ele viu.
Não valia a pena eu dizer que não. Ele já sabia da verdade toda em relação ao que eu sentia por ele. Mas eu não conseguia mudar as coisas e ele sabia o que isso implicava. Eu estava encurralada.
O meu marido apareceu do outro lado do caminho e viu que afinal eu ainda não tinha esquecido aquele homem que se encontrava à minha frente implorando que eu fugisse com ele.
A minha dor foi maior que eu própria e deixei-me cair.
Eu pedira tanto a Deus que aquele momento não chegasse, mas o Homem não deve mudar as escolhas de Deus, e se era aquilo que estava escrito, então que fosse assim.
Vieram homens de vários lados que nos agarraram.
Eu não conseguia tirar os olhos de cima do homem que eu realmente amava.
Os nossos olhos é que nos denunciavam.
As lágrimas bloquearam a minha visão.
Depois mais nada.
A chuva começou a cair.
Ficámos a olhar um para o outro, dizendo juras de amor que nunca se iriam realizar, mas quem sabe numa outra vida isso poderia acontecer tal como desejávamos agora.
Uma trovoada arrebentou mesmo por cima de nós e foi tudo.
Demos as mãos um ao outro sem olhar para trás.
Tínhamos a eternidade toda à nossa frente.

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