Encurralada.
Não tive muito por onde fugir.
Os dias passavam, os anos chegavam ao fim, mas o sentimento estava aqui tal como na primeira vez que te vi.
Transformei-me numa mulher fria, cruel, dura, sem sentimentos para ti.
A chama que antes tu vias no meu olhar foi tapada pelo meu coração para que não lhe conseguisses ver a sua luz forte e brilhante. A chama do meu amor por ti queimava-me por dentro e isso doía.
Tive de escolher um caminho, o mais cruel - Deixar-te de vez.
É muito bonito quando existem pessoas que comandam a nossa vida, o nosso destino, mas esquecem-se de um pormenor que muda tudo, todos nós temos sentimentos e sonhos.
O meu sonho eras tu e sempre foste.
Fui obrigada a ir ter contigo, dizer-te que já não te amava mais. Só assim é que eu te pude salvar.
Preferi ferir-te do que dizer-te que te amava.
Se o dissesse estaria a condenar-te à morte e eu seria a mão que te entregaria direitinho às chibatadas.
Não fui capaz.
Preferia ser eu ali do que tu, e mesmo que fossemos os dois, isso iria doer-me mais.
Se eu te dissesse que te amava e que não poderias voltar comigo, tu ficarias quieto no teu canto?
Tu irias logo atrás de mim num fechar de olhos.
Como dois apaixonados são doidos.
Preferi olhar para ti olhos nos olhos e dizer o meu discurso. Um discurso tão bem treinado que até parecia ser verdade. Treinei durante tanto tempo...
Preferi ficar sem ti para poderes viver.
Mas isso não significa que não te diga um "AMO-TE" sempre que te vejo.
Preferi mentir a ti e a meio mundo, mas a mim eu não me engano.
Não consegui esconder muito mais e fui julgada por todos.
A Medina estava ali em peso a verem como se trata quem não cumpre com os mandamentos, depois disso nada mais...
Vi todos os nossos momentos e depois uma luz.
Nada mais.
domingo, 20 de março de 2011
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