São dez da noite, a lua cheia ilumina o céu no cimo da montanha, os lobos uivam voltados para a lua.
Um mocho voa para longe, um morcego entra no meu quarto.
Continuei a preparar-me para o grande acontecimento, o Conde estava à espera, tudo tinha de estar perfeito.
A minha mãe entrou no meu quarto, ajudou-me a vestir o espartilho e perguntou-me se tinha a certeza de estar a fazer o que eu acho ser o correcto. Respondi-lhe que sim e expliquei-lhe que não teria de se preocupar. A festa seria negra e sedutora e segura.
Um coche preto com caveiras, teias de aranha, tochas e outros adornos parou em frente à minha porta.
Subi para o seu interior e pensei para comigo que tudo iria correr bem.
As ruas estavam negras, o nevoeiro baixo tapava a visão da estrada.
Cheguei meia hora depois ao grande palácio do Conde.
Desci do coche, subi a grande escadaria de pedra iluminada por grandes tochas de um vermelho sangue.
As noivas esperavam-me à porta, deram-me as boas vindas e seguimos em frente para uma outra sala.
As paredes eram escuras, a luz era à base de candelabros de cristais no tecto e havia algum cheiro a mofo.
As noivas deixaram-me num outro hall em frente a uma porta de pedra, os mordomos abriram-na e de lá surgiu o som de música, cor e brilho.
Desci as escadas lentamente, observando o brilho dourado do corrimão, as pinturas originais de grandes pintores mundiais que embelezavam aquele salão de seres que não tinham reflexos, as mesas redondas com obras feitas com comida...
Olharam todos para mim no momento em que cheguei ao fim da escadaria.
A humana ali estava à frente dos predadores, mas ao mesmo tempo era sua protegida.
Um vampiro passou com uma travessa e entregou-me um cálice. Era sumo de morango com gelo. A cor vermelha tinha de ser a única dos copos e cálices que por ali haviam.
Dei uma volta pelo salão bebendo o meu sumo. Algo se aproximou de mim, senti um frio no pescoço e um enorme arrepio na espinha. O Conde ali estava.
Pegou-me na mão e levou-me para a pista. No seu palácio era tradição o humano convidado dançar a primeira música com o anfitrião.
A música fantasmagórica começou, todos nós rodopiávamos no mesmo sentido, a mesma coreografia de muitos séculos.
O Conde perguntava-me se tinha medo, eu respondia-lhe que não. Parámos em frente de um espelho durante a dança, eu estava com as costas arqueadas para trás tendo como apoio o braço dele. Olhei para o espelho e não vi nada para além de mim.
Aqueles seres não se viam apesar da sala estar cheia de "vida".
Dançámos mais uma volta naquela espiral de cor, plumas e máscaras.
Sentei-me numa cadeira e bebi mais sumo natural de morango.
As portas do salão abriram-se novamente e desceu alguém vestido com roupas do século XVIII. Ele estava com o rosto tapado por uma máscara e tinha uma peruca branca de época.
Fui apanhar um pouco de ar e de repente o homem que tinha chegado estava mesmo atrás de mim.
Perguntei-lhe quem era ele, não me respondeu à pergunta e entregou-me uma chave e um recado.
"És a única que poderá terminar com a maldição."
Olhei mas ele já desaparecera.
Guardei a chave e o papel o mais depressa possível para que o Conde não suspeitasse de nada.
Voltei para o salão a fim de encontrar o mascarado. Encontrei-o no meio do salão a olhar para mim e a fazer-me sinal.
Segui-o até chegar ao pé de um barco.
Agradeci-lhe a ajuda, entrei no barco e fui à minha missão.
Tinha de encontrar a grande cripta para acabar com o Conde de vez.
Começou a haver mais agitação no ar, as noivas estavam próximas...
Chegámos à outra margem, corremos até à sala onde não estava a luz da bela lua cheia.
Eu estava prestes a chegar ao pé da grande cripta para assim acabar com a maldição do palácio de vez. Apenas uma humana que fosse seduzida, mas que não sentisse nada pelo Conde poderia acabar com ele de vez.
Abri a cripta e as noivas apareceram vindas do nada.
O Conde já alia estava, a observar-me com os seus olhos negros, uns olhos sem alma, vazios.
Corri para o meu objectivo, o Conde apanhou-me mas foi o fim dele. O punhal que eu tinha na minha mão foi parar directamente no coração do livro que deveria desaparecer.
O Conde desapareceu.
O Halloween ficou mais vivo.
domingo, 31 de outubro de 2010
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2 comentários:
Mas que bela história. Fiquei encantada. Será que conseguiste acabar com toda a maldição?
Este texto está mesmo giro, há muito que não escrevias um tão grande.
Bela história. Mas acredita, quando pensamos que tudo acabou, eis que algo regressa dos escombros. ^^
Eu adoro escrever histórias deste género o último foi o Masquerade.
Esta história ficou com mistério, porque como deves ter percebido que não disse que ele desapareceu para sempre.
Há pouco tempo algo nas nossas vidas regressou dos escombros e nós só temos de não dar importância.
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