Angelina olhou para o espelho. Uma lágrima percorreu-lhe o seu rosto de porcelana cheio de dor.
Passou um dedo sob uma moldura de prata com a fotografia de um rapaz de olhos azuis.
Mais uma lágrima que correu pela sua bochecha, queimava ao passar pela sua pele.
Limpou as lágrimas e concluiu que era melhor esquecer, sempre que ela limpava, mais lágrimas surgiam.
Sentou-se no parapeito da janela, encostou a sua cabeça ao cortinado e encostou a cara ao vidro frio.
Chovia lá fora. Os campos estavam molhados, os cavalos corriam lá fora ficando com o pelo todo molhado e selvagem.
Angelina sofria, respirava fundo, o coração doía-lhe, era insuportável.
Agarrou-se à moldura aninhando-a junto a si.
A hora estava a chegar e ela sabia que se teria de despedir daquele que ela mais amou.
O mundo mudou, nasceu uma nova Angelina.
Um ano se passou depois do mortal acidente. Angelina desenha todos os dias o mesmo sonho, um coração com ligaduras, um coração a tentar erguer-se das sombras.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
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1 comentário:
Essa Angelina tem sempre um pouco de Gisela.
Imaginei, aliás, visualizei atentamente a tua hist+oria e foi isso mesmo que pensei.
Quanto mais o tempo passa, mais madura essa Angelina vai ficar.
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