Olhei pela janela do quatro pensando no que fazer naquele dia fatídico de outono.
O céu estava a começar a escurecer, sorri, como é bonito ver os raios de luz a tentarem furar por entre as nuvens que aguardavam para mais uma chuvada.
Respirei fundo o ar que entrava no quarto. Cheirava a terra molhada.
As folhas das árvores estavam molhadas transmitindo algumas gotas da chuva entre elas até pararem no chão.
Apressei-me a ir para fora.
Percorri cada árvore observando o céu.
Como seria andar sem preocupações, como voar como um pássaro?
Desejei ter asas apenas por alguns minutos. Ser livre de voar para bem longe deste lugar, sem ter medos nem receios de nada nem de ninguém. Apenas queria poder voar.
Dancei por entre as árvores, sentindo-me mais leve a cada passo que dava naquela dança de olhos fechados.
Um poder exercitou pressão sobre mim.
No chão estava uma sombra que eu desconhecia.
Levantei-me e observei a figura que se estendia pelos meus pés.
Uma sombra com asas fazia todos os meus movimentos.
Fechei os olhos, abri os braços e senti as doces penas macias que me envolviam numa grande espiral.
Olhei para o céu, sentindo-me cada vez mais leve, voei para um local que me aguardava nos maiores recantos do coração humano.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)


Sem comentários:
Enviar um comentário