Por vezes sinto que tudo isto não passa de um sonho e que vou acordar para a realidade, mas a verdade é que o sonho é a própria realidade.

domingo, 31 de outubro de 2010

Dark Halloween

São dez da noite, a lua cheia ilumina o céu no cimo da montanha, os lobos uivam voltados para a lua.
Um mocho voa para longe, um morcego entra no meu quarto.
Continuei a preparar-me para o grande acontecimento, o Conde estava à espera, tudo tinha de estar perfeito.
A minha mãe entrou no meu quarto, ajudou-me a vestir o espartilho e perguntou-me se tinha a certeza de estar a fazer o que eu acho ser o correcto. Respondi-lhe que sim e expliquei-lhe que não teria de se preocupar. A festa seria negra e sedutora e segura.
Um coche preto com caveiras, teias de aranha, tochas e outros adornos parou em frente à minha porta.
Subi para o seu interior e pensei para comigo que tudo iria correr bem.
As ruas estavam negras, o nevoeiro baixo tapava a visão da estrada.
Cheguei meia hora depois ao grande palácio do Conde.
Desci do coche, subi a grande escadaria de pedra iluminada por grandes tochas de um vermelho sangue.
As noivas esperavam-me à porta, deram-me as boas vindas e seguimos em frente para uma outra sala.
As paredes eram escuras, a luz era à base de candelabros de cristais no tecto e havia algum cheiro a mofo.
As noivas deixaram-me num outro hall em frente a uma porta de pedra, os mordomos abriram-na e de lá surgiu o som de música, cor e brilho.
Desci as escadas lentamente, observando o brilho dourado do corrimão, as pinturas originais de grandes pintores mundiais que embelezavam aquele salão de seres que não tinham reflexos, as mesas redondas com obras feitas com comida...
Olharam todos para mim no momento em que cheguei ao fim da escadaria.
A humana ali estava à frente dos predadores, mas ao mesmo tempo era sua protegida.
Um vampiro passou com uma travessa e entregou-me um cálice. Era sumo de morango com gelo. A cor vermelha tinha de ser a única dos copos e cálices que por ali haviam.
Dei uma volta pelo salão bebendo o meu sumo. Algo se aproximou de mim, senti um frio no pescoço e um enorme arrepio na espinha. O Conde ali estava.
Pegou-me na mão e levou-me para a pista. No seu palácio era tradição o humano convidado dançar a primeira música com o anfitrião.
A música fantasmagórica começou, todos nós rodopiávamos no mesmo sentido, a mesma coreografia de muitos séculos.
O Conde perguntava-me se tinha medo, eu respondia-lhe que não. Parámos em frente de um espelho durante a dança, eu estava com as costas arqueadas para trás tendo como apoio o braço dele. Olhei para o espelho e não vi nada para além de mim.
Aqueles seres não se viam apesar da sala estar cheia de "vida".
Dançámos mais uma volta naquela espiral de cor, plumas e máscaras.
Sentei-me numa cadeira e bebi mais sumo natural de morango.
As portas do salão abriram-se novamente e desceu alguém vestido com roupas do século XVIII. Ele estava com o rosto tapado por uma máscara e tinha uma peruca branca de época.
Fui apanhar um pouco de ar e de repente o homem que tinha chegado estava mesmo atrás de mim.
Perguntei-lhe quem era ele, não me respondeu à pergunta e entregou-me uma chave e um recado.
"És a única que poderá terminar com a maldição."
Olhei mas ele já desaparecera.
Guardei a chave e o papel o mais depressa possível para que o Conde não suspeitasse de nada.
Voltei para o salão a fim de encontrar o mascarado. Encontrei-o no meio do salão a olhar para mim e a fazer-me sinal.
Segui-o até chegar ao pé de um barco.
Agradeci-lhe a ajuda, entrei no barco e fui à minha missão.
Tinha de encontrar a grande cripta para acabar com o Conde de vez.
Começou a haver mais agitação no ar, as noivas estavam próximas...
Chegámos à outra margem, corremos até à sala onde não estava a luz da bela lua cheia.
Eu estava prestes a chegar ao pé da grande cripta para assim acabar com a maldição do palácio de vez. Apenas uma humana que fosse seduzida, mas que não sentisse nada pelo Conde poderia acabar com ele de vez.
Abri a cripta e as noivas apareceram vindas do nada.
O Conde já alia estava, a observar-me com os seus olhos negros, uns olhos sem alma, vazios.
Corri para o meu objectivo, o Conde apanhou-me mas foi o fim dele. O punhal que eu tinha na minha mão foi parar directamente no coração do livro que deveria desaparecer.
O Conde desapareceu.
O Halloween ficou mais vivo.

Sing a Song

Sing a song to the old times
Sing and dance to your spirit fly
Believe in the destiny
Open your arms and feel the winter hugging you.
Clouse your eyes and think of me
Think about the days when we were together
Think about the wonderful moments we past through
Think about the real love
Think about the sound and the power of life
Sing a song in memory of our love
Sing a song in memory of us

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Broken Heart

Angelina olhou para o espelho. Uma lágrima percorreu-lhe o seu rosto de porcelana cheio de dor.
Passou um dedo sob uma moldura de prata com a fotografia de um rapaz de olhos azuis.
Mais uma lágrima que correu pela sua bochecha, queimava ao passar pela sua pele.
Limpou as lágrimas e concluiu que era melhor esquecer, sempre que ela limpava, mais lágrimas surgiam.
Sentou-se no parapeito da janela, encostou a sua cabeça ao cortinado e encostou a cara ao vidro frio.
Chovia lá fora. Os campos estavam molhados, os cavalos corriam lá fora ficando com o pelo todo molhado e selvagem.
Angelina sofria, respirava fundo, o coração doía-lhe, era insuportável.
Agarrou-se à moldura aninhando-a junto a si.
A hora estava a chegar e ela sabia que se teria de despedir daquele que ela mais amou.
O mundo mudou, nasceu uma nova Angelina.
Um ano se passou depois do mortal acidente. Angelina desenha todos os dias o mesmo sonho, um coração com ligaduras, um coração a tentar erguer-se das sombras.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Anjo

Olhei pela janela do quatro pensando no que fazer naquele dia fatídico de outono.
O céu estava a começar a escurecer, sorri, como é bonito ver os raios de luz a tentarem furar por entre as nuvens que aguardavam para mais uma chuvada.
Respirei fundo o ar que entrava no quarto. Cheirava a terra molhada.
As folhas das árvores estavam molhadas transmitindo algumas gotas da chuva entre elas até pararem no chão.
Apressei-me a ir para fora.
Percorri cada árvore observando o céu.
Como seria andar sem preocupações, como voar como um pássaro?
Desejei ter asas apenas por alguns minutos. Ser livre de voar para bem longe deste lugar, sem ter medos nem receios de nada nem de ninguém. Apenas queria poder voar.
Dancei por entre as árvores, sentindo-me mais leve a cada passo que dava naquela dança de olhos fechados.
Um poder exercitou pressão sobre mim.
No chão estava uma sombra que eu desconhecia.
Levantei-me e observei a figura que se estendia pelos meus pés.
Uma sombra com asas fazia todos os meus movimentos.
Fechei os olhos, abri os braços e senti as doces penas macias que me envolviam numa grande espiral.
Olhei para o céu, sentindo-me cada vez mais leve, voei para um local que me aguardava nos maiores recantos do coração humano.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Estranha Viagem

É este comboio que vai para esta localidade? - Perguntei eu ao revisor que me respondeu que sim.
Entrei e estranhei o aspecto tanto exterior como interior do comboio.
Procurei pelo meu lugar, sentei-me e aguardei pela partida.
O revisor entrou e começou a estranha viagem.
As pessoas começaram a ficar nervosas e o revisor disse que afinal não era aquele comboio e que ele não iria parar nas estações.
Eu estava sem maneira de avisar a minha família e foi como se tivesse desaparecido.
Fui olhando para o exterior até adormecer com a leveza do andamento do comboio. Acordei umas horas depois numa estação a meio do país.
Fiquei mais desperta pensando no que deveria fazer para conseguir voltar para trás, mas não havia volta a dar.
Quem entrou naquele comboio tinha de fazer a viagem completa e só quando chegasse ao destino é que poderia voltar para trás.
Olhei para o exterior e fiquei a contemplar a paisagem que se avistava.
As horas passavam a correr até que cheguei ao Gerês.
Senti um arrepio quando olhei para a rua. Estava frio, muito frio. Avistei uma casa no meio do grande paraíso verde que se estendia para lá das montanhas.
O comboio entrou num túnel e o tecto desapareceu. Olhei maravilhada para o grande arco que acolhia o comboio. Era alto e com muitas flores.
Parámos em mais uma estação e o comboio virou para leste.
Viajei durante três dias.
Chuva, frio, verde e neve.
O comboio parou definitivamente num local cheio de neve.
Rússia.
Fiquei lá durante algumas horas e votei para o comboio misterioso.
A viagem estava assim completa.

Carta de Despedida

Sentaste-te perto de mim naquela noite fria de Inverno e de olhar curioso tentaste saber quem eu era.
A menina que estava ali perto de ti começou a suspeitar de que existia algo diferente no ar.
Olhei para onde vinha a pressão que eu sentia e cruzei-me com o teu olhar que teimava em não deixar os meus olhos percorrerem o resto da divisão.
No momento de eu sair daquela sala sufocante, tu aproximaste-te e perguntaste-me o meu nome, ao qual eu respondi educadamente.
Um mês se passou até nos encontrarmos novamente.
Aquele dia foi o inicio de um fim derradeiro.
O dia do inicio de uma história que tinha os dias contados desde a primeira vez que te vi naquela sala.
Andaste atrás da menina mulher que sempre soube o que queria da vida.
Hoje andas atrás da mulher que não te ama mais.
Percebi que o que sempre quiseste é o que eu nunca te poderia dar, pois amar, amo a mim mesma e não aqueles que apenas pensam em si e no seu bem estar. É isto o que tu fazes.
Como é que és capaz de fazer o que fazes por dinheiro?
Vergonha na cara é o que tu deverias ter por moveres ventos passados, que não voltaram mais para o presente.
Sou feliz.

domingo, 10 de outubro de 2010

Remendos

Uma linha aqui, um pedaço de tecido ali.
Ali no meio do bosque alguém chorava.
Chorava de dor e de desespero.
Desespero esse que se confundia com o frio.
Frio era o sentimento mais profundo daquele ser.
Ser cruel que se escondia na noite sem lua.
Lua que não existia naquela dor escondida.
Escondida estava o ser que fora maltratado por ele.
Ele agora chorava no chão gelado e molhado.
Molhado estava o rosto da jovem que espreitava pela janela enquanto esperava.
Esperava pelo dia do juízo final.
Final seria o dia em que a cara de remendos caísse por fim na terra húmida e gelada.
Gelada pelas inúmeras horas em que milhares de lágrimas caíram na terra.