Naquele dia de inverno procurei afastar-me da rotina.
Andei sem rumo pelas calçadas da cidade apenas dizendo aos meus pés "levem-me para onde quizerem".
Passei por ruas que não me consigo lembrar, vi montras enquanto ouvia música no meu ipod, e decidi ir para fora. Fui para o pontão ver os barcos.
A maré tinha subido, os barcos baloiçavam com o vento e com a ondulação da água, no entanto eu não conseguia deixar de pensar em ti.
Eu não conseguia parar de ouvir aquela música que me faz chorar sempre que a oiço, pois é assim que me sinto e não consigo fazer nada para mudar isso.
O céu ficou negro e pouco depois começou a chover. Nem quis saber se chovia, eu só te via à minha frente.
Desejei que estivesses ali comigo, desejei sentir o teu toque, o teu calor, os teus lábios...
Tirei um caderno e comecei a escrever-te este texto, pois apesar de não te ter ao meu lado, eu sei que um dia o lerás.
Escrever é uma forma de te trazer até mim, de reviver os bons momentos, voltar a ouvir conversas, sentir os teus lábios nos meus, o toque das tuas mãos na minha pele...
Fiquei por ali algum tempo a contemplar as nossas fotografias e videos, as nossas memórias.
No momento em que me fui embora apareceu um homem muito parecido contigo, a mesma estrutura fisica, o cabelo, a t-shirt branca, mas não eras tu.
Naquele momento fiquei cheia de esperanças que tivesse chegado de vez o dia que tanto espero.
Terá sido um sinal?
P.S.: Amo-te!
domingo, 14 de outubro de 2012
A Noite
A noite é misteriosa, inquietante, cheia de sons que marcam o compasso do tempo lentamente.
Escuto os sons atentamente, ao longe oiço vozes de crianças, adultos a sorrir e a conversar, mas o som que predomina é o som dos carros. Os carros passam a toda a hora.
O vento toca docemente na minha pele, é suave e quente à sua passagem mas por vezes revoltasse e fica frio, gélido e severo.
As árvores são o aconchego perfeito, tapam-me, cobrem-me com os seus ramos cheios de folhas que caiem com o vento. Estão secas tal como a minha alma quando tento escrever.
O céu é belo, tão belo que parece coberto de diamantes, safiras e rubis. Levanto a minha mão numa tentativa inutil de tentar tocar nas estrelas, de sentir o seu calor, a sua textura. Fecho os olhos e na minha mente consigo tocar, é pequena e muito quente, queima a mão.
Os aviões avançam no céu, tocam as nuvens e as estrelas, quem me dera saber voar.
Voar para longe daqui e seguir em frente com o que realmente importa.
Voar para estar com quem me ama, voar para ser feliz.
Porque nesta noite o que existe é o silêncio e todo o resto é a solidão.
Escuto os sons atentamente, ao longe oiço vozes de crianças, adultos a sorrir e a conversar, mas o som que predomina é o som dos carros. Os carros passam a toda a hora.
O vento toca docemente na minha pele, é suave e quente à sua passagem mas por vezes revoltasse e fica frio, gélido e severo.
As árvores são o aconchego perfeito, tapam-me, cobrem-me com os seus ramos cheios de folhas que caiem com o vento. Estão secas tal como a minha alma quando tento escrever.
O céu é belo, tão belo que parece coberto de diamantes, safiras e rubis. Levanto a minha mão numa tentativa inutil de tentar tocar nas estrelas, de sentir o seu calor, a sua textura. Fecho os olhos e na minha mente consigo tocar, é pequena e muito quente, queima a mão.
Os aviões avançam no céu, tocam as nuvens e as estrelas, quem me dera saber voar.
Voar para longe daqui e seguir em frente com o que realmente importa.
Voar para estar com quem me ama, voar para ser feliz.
Porque nesta noite o que existe é o silêncio e todo o resto é a solidão.
Lacunas
Por vezes vemos a nossa vida a passar lentamente e outras vezes é como se andassemos a 1000 por hora e só nos damos conta disso quando olhamos para trás e percebemos que tudo correu depressa de mais e não há forma de voltar atrás.
É isso mesmo o que sinto. Quando olho para trás vejo que as coisas acontecem depressa de mais e que muitas delas desaparecem como se fossem um simples suspiro.
Quantas vezes não olhamos para trás e pensamos "se fosse hoje teria vestido aquela vestido ou usado aquela maquilhagem", ou "se fosse hoje não teria dito X mas agido logo na hora".
É... isto acontece-me muitas vezes.
Nada acontece por acaso e isto deixa lacunas nas nossas vidas.
Será que haverá um dia em que posso dizer que concretizei o sonho dos sonhos?
Será que haverá algum dia que mude tudo e nós conseguimos segurar o nosso futuro, o nosso caminho?
É claro que as coisas não acontecem por milagre mas será que com muito esforço e empenho elas se concretizam? Espero bem que sim. Pelo menos podemos dizer que fizemos por nós e não deixamos lacunas na nossa vida, mas preenchemos os espaços vazios com o melhor que temos.
É isso mesmo o que sinto. Quando olho para trás vejo que as coisas acontecem depressa de mais e que muitas delas desaparecem como se fossem um simples suspiro.
Quantas vezes não olhamos para trás e pensamos "se fosse hoje teria vestido aquela vestido ou usado aquela maquilhagem", ou "se fosse hoje não teria dito X mas agido logo na hora".
É... isto acontece-me muitas vezes.
Nada acontece por acaso e isto deixa lacunas nas nossas vidas.
Será que haverá um dia em que posso dizer que concretizei o sonho dos sonhos?
Será que haverá algum dia que mude tudo e nós conseguimos segurar o nosso futuro, o nosso caminho?
É claro que as coisas não acontecem por milagre mas será que com muito esforço e empenho elas se concretizam? Espero bem que sim. Pelo menos podemos dizer que fizemos por nós e não deixamos lacunas na nossa vida, mas preenchemos os espaços vazios com o melhor que temos.
domingo, 19 de agosto de 2012
Revisão
Por vezes penso em vir escrever algo nem que seja dizer um olá, mas fico sem qualquer inspiração e não sei o que ei de escrever. É como se estivesse sem nada na minha mente para transmitir.
Sei que o meu blog é muito negro, não falo sobre o fundo da página, falo sobre os meus textos sombrios que me ajudam a explodir e arranjar mais forças para seguir em frente.
Nem sempre as coisas são fáceis e não é por isso que deixo de cá vir postar algo. Também há coisas boas e muito boas até.
O meu blog surgiu no ano de 2010, precisamente no último dia de Fevereiro. Nessa altura a minha vida estava uma autentica porcaria e foi por isso que decidi criar este blog. Nesse ano a minha vida era controlada por dois pirralhas que tinham acabado de tirar as fraldas do rabo e meninos da mamã que pensavam que eram homens e que sabiam mais que eu e que a minha melhor amiga.
Devo sublinhar que os pirralhas eram gays e íam ao cu um do outro e foram apanhados em flagrante por colegas na casa de banho. Eles tiveram a lata de inventar histórias, de nos humilhar, de falarem com o nosso diretor do curso da faculdade dizendo que eramos mentirosas e que uma de nós não teve uma doença grave, ou seja nós eramos as maiores mentirosas à face da terra.
Não sou pessoa de me meter em confusões, conflitos, mas naquela altura a minha vida era uma autentica revira volta.
Sempre fui uma mulher honesta, prezo a sinceridade, o bom senso e a justiça e se há coisa que nunca aconteceu nesta história foi a justiça.
Fui seguida, roubada (entravam nas minhas contas pessoais), era fotografada por esses dois canalhas às escondidas para meterem as fotos em sites de pornografia...
Enfim isto por que passei foi um autentico filme de terror.
Só tenho uma coisa a dizer no meio disto tudo, eles não sabem com quem se foram meter.
Os nomes de tais personagens nunca serão divulgados, até porque aki eu tenho o direito de falar sobre o que quero e não sou julgada por isso.
Este espaço é meu e como tal digo o que me apetecer, incluindo mandá-los para a m**** que é onde eles merecem estar e ficar.
Sei que o meu blog é muito negro, não falo sobre o fundo da página, falo sobre os meus textos sombrios que me ajudam a explodir e arranjar mais forças para seguir em frente.
Nem sempre as coisas são fáceis e não é por isso que deixo de cá vir postar algo. Também há coisas boas e muito boas até.
O meu blog surgiu no ano de 2010, precisamente no último dia de Fevereiro. Nessa altura a minha vida estava uma autentica porcaria e foi por isso que decidi criar este blog. Nesse ano a minha vida era controlada por dois pirralhas que tinham acabado de tirar as fraldas do rabo e meninos da mamã que pensavam que eram homens e que sabiam mais que eu e que a minha melhor amiga.
Devo sublinhar que os pirralhas eram gays e íam ao cu um do outro e foram apanhados em flagrante por colegas na casa de banho. Eles tiveram a lata de inventar histórias, de nos humilhar, de falarem com o nosso diretor do curso da faculdade dizendo que eramos mentirosas e que uma de nós não teve uma doença grave, ou seja nós eramos as maiores mentirosas à face da terra.
Não sou pessoa de me meter em confusões, conflitos, mas naquela altura a minha vida era uma autentica revira volta.
Sempre fui uma mulher honesta, prezo a sinceridade, o bom senso e a justiça e se há coisa que nunca aconteceu nesta história foi a justiça.
Fui seguida, roubada (entravam nas minhas contas pessoais), era fotografada por esses dois canalhas às escondidas para meterem as fotos em sites de pornografia...
Enfim isto por que passei foi um autentico filme de terror.
Só tenho uma coisa a dizer no meio disto tudo, eles não sabem com quem se foram meter.
Os nomes de tais personagens nunca serão divulgados, até porque aki eu tenho o direito de falar sobre o que quero e não sou julgada por isso.
Este espaço é meu e como tal digo o que me apetecer, incluindo mandá-los para a m**** que é onde eles merecem estar e ficar.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Return to the Gothic Santuary
Há dois anos que não via aquela rosa. Estava igual à altura em que a vi no meu santuário, em cima do piano preto de cauda.
Ao lado dela estava a partitura que toquei naquela noite.
Sentei-me no parapeito da janela abraçando a rosa. Li a partitura, ouvindo a sua doce melodia mentalmente. Adorava poder tocá-la novamente, sentir as teclas do piano por baixo dos meus dedos, sentir a vida da música em mim.
Decidida a voltar ao santuário vesti novamente aquele vestido preto de cauda e levei comigo a rosa e a partitura.
Passei pela floresta decidida a por um ponto final na história, a por um ponto final numa história que durou dois longos e dolorosos anos da minha vida.
A floresta estava diferente desde aquela noite de inverno. Agora estava menos fria, menos pesada, mais alegre, com mais vida.
Descobri a entrada do santuário na abertura de uma rocha enorme. Quando fiquei sem a luz da lua, uma tocha acendeu-se como se eu tivesse tocado em algum fio que a pudesse acender assim do nada. Peguei nela e penetrei pela escuridão das escadas que iam descendo sem cessar. Percorri o enorme corredor que levou até à ponte. A ponte era adornada por elementos góticos, belos e sublimes.
Segui em frente e entrei no meu santuário.
A sala estava escura. Respirei fundo, o meu coração palpitava fortemente no peito. Eu nem conseguia acreditar que lá voltara. Posei a tocha num sitio próprio para ela na parede e segui em frente.
A sala ficou iluminada à minha passagem. O chão continha pétalas de rosas tal como na primeira vez.
O santuário já não estava em ruínas, no lugar de buracos existiam janelas adornadas com longas cortinas de veludo. Sorri por saber que aquele local também mudou para melhor. Estava mais acolhedor, apesar de ainda se sentir a dor que por ali passou, era possível respirar-se ar puro.
Segui as pétalas e ali estava o piano preto de cauda com uma carta em cima da tampa das teclas e uma rosa igual à que eu tinha junto a mim.
Percorri o piano com a minha mão até chegar à carta. Sentei-me e abri-a. Dentro do envelope estava um frasco com água. Era água da chuva. Senti um aperto no peito e comecei a ler a carta que dizia:
"Nem sempre o mundo é justo para nós, há muita dor e sofrimento e por vezes sentímo-nos sós e sem amparo. Quem nos diz que estamos mesmo sós? Poderá algum dia uma planta estar só? Será que um pássaro que não consegue voar está só? Nunca estamos sós, apesar de o acharmos que estamos.
A planta nunca está só, pois tem a terra para a sustentar e para cuidar dela de dia e de noite. O pássaro apesar de não voar não está só, pois tem todos os membros do seu bando ali para o amparar e tu? O que é que tu tiveste? Tiveste a natureza.
Tiveste as tempestades, o frio e o calor, o vento, tudo. As tempestades foram a maior prova disso, foram a prova viva de que as coisas não estavam bem e que tu não estavas só.
Aí tens um pouco da chuva desses tempos para que te lembres sempre da grande lição que tiveste.
Chovia porque choravas."
Terminei de ler a carta e voltei a rele-la, olhando para aquele frasquinho.
Pousei a carta e contemplei a sala. Tudo mudara para melhor. Tinha novas pinturas, novas estátuas, muitas flores...
Voltei a observar o canto onde ele aparecera naquela vez mas ele ali não estava. O meu violino estava guardado numa caixa de vidro, abri-a com todo o cuidado e toquei. A música era vibrante, alegre, completamente diferente da primeira vez. Eu estava feliz.
Coloquei o violino no sitio e voltei ao piano decidida a tocar uma balada. Comecei a tocar as notas mais graves até que o som começou a ficar mais belo. A melodia fez-me voar, sentir-me viva, sentir-me livre. Comecei a cantar enquanto tocava e nesse instante... Um violino começou a tocar ao meu lado. Eras tu quem ali estava novamente, sorrindo e acompanhando-me, um autentico anjo.
No fim pegaste na minha mão, abraçaste-me e beijaste-me.
Disse-me ao ouvido que me amavas e que querias ter-me junto a ti. Disse-te que queria o mesmo que tu e saímos dali abraçados.
Lá fora o dia estava a nascer e nas nossas vidas uma nova etapa começara.
...
Acordei com um enorme sorriso nos lábios e com os meus dedos entrelaçados nos teus. Nem acredito que voltei a sonhar com aquele santuário onde outrora eu chorei vezes sem conta. Onde eu sofri sozinha na calada da noite sem que ninguém notasse.
Lá dentro ficou a partitura e a flor e comigo veio o frasquinho da chuva. O dia estava totalmente radioso.
Ao lado dela estava a partitura que toquei naquela noite.
Sentei-me no parapeito da janela abraçando a rosa. Li a partitura, ouvindo a sua doce melodia mentalmente. Adorava poder tocá-la novamente, sentir as teclas do piano por baixo dos meus dedos, sentir a vida da música em mim.
Decidida a voltar ao santuário vesti novamente aquele vestido preto de cauda e levei comigo a rosa e a partitura.
Passei pela floresta decidida a por um ponto final na história, a por um ponto final numa história que durou dois longos e dolorosos anos da minha vida.
A floresta estava diferente desde aquela noite de inverno. Agora estava menos fria, menos pesada, mais alegre, com mais vida.
Descobri a entrada do santuário na abertura de uma rocha enorme. Quando fiquei sem a luz da lua, uma tocha acendeu-se como se eu tivesse tocado em algum fio que a pudesse acender assim do nada. Peguei nela e penetrei pela escuridão das escadas que iam descendo sem cessar. Percorri o enorme corredor que levou até à ponte. A ponte era adornada por elementos góticos, belos e sublimes.
Segui em frente e entrei no meu santuário.
A sala estava escura. Respirei fundo, o meu coração palpitava fortemente no peito. Eu nem conseguia acreditar que lá voltara. Posei a tocha num sitio próprio para ela na parede e segui em frente.
A sala ficou iluminada à minha passagem. O chão continha pétalas de rosas tal como na primeira vez.
O santuário já não estava em ruínas, no lugar de buracos existiam janelas adornadas com longas cortinas de veludo. Sorri por saber que aquele local também mudou para melhor. Estava mais acolhedor, apesar de ainda se sentir a dor que por ali passou, era possível respirar-se ar puro.
Segui as pétalas e ali estava o piano preto de cauda com uma carta em cima da tampa das teclas e uma rosa igual à que eu tinha junto a mim.
Percorri o piano com a minha mão até chegar à carta. Sentei-me e abri-a. Dentro do envelope estava um frasco com água. Era água da chuva. Senti um aperto no peito e comecei a ler a carta que dizia:
"Nem sempre o mundo é justo para nós, há muita dor e sofrimento e por vezes sentímo-nos sós e sem amparo. Quem nos diz que estamos mesmo sós? Poderá algum dia uma planta estar só? Será que um pássaro que não consegue voar está só? Nunca estamos sós, apesar de o acharmos que estamos.
A planta nunca está só, pois tem a terra para a sustentar e para cuidar dela de dia e de noite. O pássaro apesar de não voar não está só, pois tem todos os membros do seu bando ali para o amparar e tu? O que é que tu tiveste? Tiveste a natureza.
Tiveste as tempestades, o frio e o calor, o vento, tudo. As tempestades foram a maior prova disso, foram a prova viva de que as coisas não estavam bem e que tu não estavas só.
Aí tens um pouco da chuva desses tempos para que te lembres sempre da grande lição que tiveste.
Chovia porque choravas."
Terminei de ler a carta e voltei a rele-la, olhando para aquele frasquinho.
Pousei a carta e contemplei a sala. Tudo mudara para melhor. Tinha novas pinturas, novas estátuas, muitas flores...
Voltei a observar o canto onde ele aparecera naquela vez mas ele ali não estava. O meu violino estava guardado numa caixa de vidro, abri-a com todo o cuidado e toquei. A música era vibrante, alegre, completamente diferente da primeira vez. Eu estava feliz.
Coloquei o violino no sitio e voltei ao piano decidida a tocar uma balada. Comecei a tocar as notas mais graves até que o som começou a ficar mais belo. A melodia fez-me voar, sentir-me viva, sentir-me livre. Comecei a cantar enquanto tocava e nesse instante... Um violino começou a tocar ao meu lado. Eras tu quem ali estava novamente, sorrindo e acompanhando-me, um autentico anjo.
No fim pegaste na minha mão, abraçaste-me e beijaste-me.
Disse-me ao ouvido que me amavas e que querias ter-me junto a ti. Disse-te que queria o mesmo que tu e saímos dali abraçados.
Lá fora o dia estava a nascer e nas nossas vidas uma nova etapa começara.
...
Acordei com um enorme sorriso nos lábios e com os meus dedos entrelaçados nos teus. Nem acredito que voltei a sonhar com aquele santuário onde outrora eu chorei vezes sem conta. Onde eu sofri sozinha na calada da noite sem que ninguém notasse.
Lá dentro ficou a partitura e a flor e comigo veio o frasquinho da chuva. O dia estava totalmente radioso.
Sonho de Criança
Já se passaram anos desde que sonhei contigo, era apenas uma inocente criança que sonhava em lutar pelos sonhos custasse o que custasse.
Depois de mais um dia rendi-me ao cansaço e cai nos braços da minha cama que me acolheram e me envolveram para mais uma noite.
Fechei os meus olhos, o mundo dos sonhos abriu-me as suas portas e entrei.
...
Lembro-me de observar os teus olhos amendoados, o teu sorriso delicado, o contorno da tua face.
Tinhas uma pele suave, um cabelo rebelde e um grande coração.
Apaixonámo-nos perdidamente um pelo outro, quis ficar junto a ti, ficar envolta nos teus braços, poder abraçar-te, beijar-te.
Disseste-me que te irias embora mas que voltarias um dia para me vires buscar.
Fiquei à tua espera, passava algumas horas todos os dias a observar a rua na esperança de te vir chegar. A saudade apertava-me o peito e eu suspirava a cada dia que passava.
Certo dia tu chegaste por entre as árvores. Vinhas com uma t-shirt branca, o casaco na mão... Eu só podia estar a sonhar ou a ter alguma miragem. Corri para ti, abri os braços, saltei para o teu colo e envolvemo-nos num beijo apaixonado.
Passamos o dia a namorar, quis saber tudo o que fizeste e disseste-me que tinhas uma surpresa para mim.
Os meus pais descobriram a nossa relação e tentaram impedir, mas já era tarde de mais. Esperava um filho teu e eu queria ficar contigo. A minha família não quis aceitar a relação e a minha mãe perguntou-te como é que irias conseguir sustentar uma família.
Construíste a nossa casa, era de madeira e ficava no campo. Quando ficou pronta, foste buscar-me a casa, ajudaste-me a fazer as mudanças e fui viver contigo. Deixei uma carta dirigida aos meus pais.
A minha barriga crescia a olhos vistos, o meu pai não me falava, mas a minha mãe andava de olho em mim e acompanhava o crescimento do neto que eu carregava.
O bebé nasceu, nós os dois estávamos radiantes e felizes. A minha mãe não conseguia fingir que estava completamente encantada com a criança e certo dia decidiu bater à nossa porta.
Abri a porta, o bebé dormia na caminha, a minha mãe chorava. Trouxe-a para dentro, para podermos conversar e apresentei-lhe o nosso menino. Finalmente ela aceitou o facto de eu estar casada e ficou o tempo todo com o pequenino nos braços dela, embalando-o e sorrindo.
...
Eram 11 da manhã, acordei sentindo que o meu corpo estava muito leve.
Procurei-te durante esse dia inteiro sem cessar.
O dia primaveril estava calmo, mas o meu coração estava agitado. Queria encontrar-te, poder abraçar-te e não te deixar partir.
Amo-te coração.
Depois de mais um dia rendi-me ao cansaço e cai nos braços da minha cama que me acolheram e me envolveram para mais uma noite.
Fechei os meus olhos, o mundo dos sonhos abriu-me as suas portas e entrei.
...
Lembro-me de observar os teus olhos amendoados, o teu sorriso delicado, o contorno da tua face.
Tinhas uma pele suave, um cabelo rebelde e um grande coração.
Apaixonámo-nos perdidamente um pelo outro, quis ficar junto a ti, ficar envolta nos teus braços, poder abraçar-te, beijar-te.
Disseste-me que te irias embora mas que voltarias um dia para me vires buscar.
Fiquei à tua espera, passava algumas horas todos os dias a observar a rua na esperança de te vir chegar. A saudade apertava-me o peito e eu suspirava a cada dia que passava.
Certo dia tu chegaste por entre as árvores. Vinhas com uma t-shirt branca, o casaco na mão... Eu só podia estar a sonhar ou a ter alguma miragem. Corri para ti, abri os braços, saltei para o teu colo e envolvemo-nos num beijo apaixonado.
Passamos o dia a namorar, quis saber tudo o que fizeste e disseste-me que tinhas uma surpresa para mim.
Os meus pais descobriram a nossa relação e tentaram impedir, mas já era tarde de mais. Esperava um filho teu e eu queria ficar contigo. A minha família não quis aceitar a relação e a minha mãe perguntou-te como é que irias conseguir sustentar uma família.
Construíste a nossa casa, era de madeira e ficava no campo. Quando ficou pronta, foste buscar-me a casa, ajudaste-me a fazer as mudanças e fui viver contigo. Deixei uma carta dirigida aos meus pais.
A minha barriga crescia a olhos vistos, o meu pai não me falava, mas a minha mãe andava de olho em mim e acompanhava o crescimento do neto que eu carregava.
O bebé nasceu, nós os dois estávamos radiantes e felizes. A minha mãe não conseguia fingir que estava completamente encantada com a criança e certo dia decidiu bater à nossa porta.
Abri a porta, o bebé dormia na caminha, a minha mãe chorava. Trouxe-a para dentro, para podermos conversar e apresentei-lhe o nosso menino. Finalmente ela aceitou o facto de eu estar casada e ficou o tempo todo com o pequenino nos braços dela, embalando-o e sorrindo.
...
Eram 11 da manhã, acordei sentindo que o meu corpo estava muito leve.
Procurei-te durante esse dia inteiro sem cessar.
O dia primaveril estava calmo, mas o meu coração estava agitado. Queria encontrar-te, poder abraçar-te e não te deixar partir.
Amo-te coração.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Adeus
"Adeus..." - Escrevi no fim da carta, numa caligrafia apressada.
Nem acredito que terminei de escrever aquela carta. Finalmente posso respirar fundo e abraçar o futuro de braços abertos.
Quem diria que uma carta pudesse demorar dois anos e cinco meses a ser dirigida. Carta... Parece um livro, cheio de histórias, o meu dia a dia, os meus pensamentos, as minhas alegrias e tristezas. Nem acredito que caí naquela armadilha. Ai como uma jovem pode ser tão ingénua e ser apanhada por aqueles que não têm escrúpulos. Pergunto-me o que há na cabeça das pessoas para tamanha maldade, mas para mim isso já não me importa. Não me importa o que os outros pensam ou não de mim.
Fizeram-me sofrer, viver o maior inferno de sempre, conhecer a desgraça do que é ter um coração destroçado e não saber como colar os cascos. Conhecer o medo, o terror, a ilusão. Acabou.
Depois de tudo isto, aprendi a amar e ser amada. A dar o valor verdadeiro à amizade, à família que ganhei, a família que nasceu no meio da desgraça.
A carta que escrevi é para ti. Tu que te deste ao trabalho de me ver a sofrer, tu que não tiveste mais nada para fazer do que ser atormentar-me e maltratar-me. Tu que te demonstraste ser uma pessoa que na verdade foi outra.
As histórias por ti criadas não passaram disso, de histórias.
Hoje sou a mulher que sou devido a tudo o que tive de passar. Não sou nenhuma coitadinha e não passo o tempo a lamentar-me. Sou a mulher que sou devido às lições que tirei ao longo desde dois longos anos.
Hoje sou uma fénix renascida das cinzas. Renascida das cinzas daquele que foi o meu inferno.
Nem acredito que terminei de escrever aquela carta. Finalmente posso respirar fundo e abraçar o futuro de braços abertos.
Quem diria que uma carta pudesse demorar dois anos e cinco meses a ser dirigida. Carta... Parece um livro, cheio de histórias, o meu dia a dia, os meus pensamentos, as minhas alegrias e tristezas. Nem acredito que caí naquela armadilha. Ai como uma jovem pode ser tão ingénua e ser apanhada por aqueles que não têm escrúpulos. Pergunto-me o que há na cabeça das pessoas para tamanha maldade, mas para mim isso já não me importa. Não me importa o que os outros pensam ou não de mim.
Fizeram-me sofrer, viver o maior inferno de sempre, conhecer a desgraça do que é ter um coração destroçado e não saber como colar os cascos. Conhecer o medo, o terror, a ilusão. Acabou.
Depois de tudo isto, aprendi a amar e ser amada. A dar o valor verdadeiro à amizade, à família que ganhei, a família que nasceu no meio da desgraça.
A carta que escrevi é para ti. Tu que te deste ao trabalho de me ver a sofrer, tu que não tiveste mais nada para fazer do que ser atormentar-me e maltratar-me. Tu que te demonstraste ser uma pessoa que na verdade foi outra.
As histórias por ti criadas não passaram disso, de histórias.
Hoje sou a mulher que sou devido a tudo o que tive de passar. Não sou nenhuma coitadinha e não passo o tempo a lamentar-me. Sou a mulher que sou devido às lições que tirei ao longo desde dois longos anos.
Hoje sou uma fénix renascida das cinzas. Renascida das cinzas daquele que foi o meu inferno.
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