Por vezes sinto que tudo isto não passa de um sonho e que vou acordar para a realidade, mas a verdade é que o sonho é a própria realidade.

domingo, 13 de agosto de 2017

Escrever-te

Não existe uma razão para escrever. Pura e simplesmente se escreve, como se tratasse de um simples ato involuntário do nosso ser.
Tudo em nós respira, até a escrita. Tudo em nós existe, até o simples ato de escrever.
Por vezes observo o céu na escuridão e pergunto-me "Qual será a mensagem que as estrelas têm para nós?". Para nós... O "nós" que é tão vago e tão inexistente de textura, mas não de sentimentos. Por muito que as estrelas possam parecer-nos próximas umas das outras, quase se tocam, como se de irmãs se tratassem. Mas elas estão longe, bem longe umas das outras, da mesma forma que eu e tu.
O escuro que as envolve, é o mesmo que envolve a nós. A mesma fraqueza, o mesmo brilho.
Escrever por vezes pode ser reconfortante nessas noites estreladas, outras nem por isso.
O frio que me envolve, mesmo em noites de verão, me mostra que afinal tenho razão. Não existem razões para escrever, os sentimentos fazem-nos tomar na mão uma folha de papel e uma caneta, e assim começo a escrever-te.
Hoje estou só, tal como as estrelas.
Lá fora as estrelas não brilham quanto eu gostaria, estão como eu. Brilham como eu, numa luz fosca e com pouco brilho.
Amanhã será uma outra noite e quem sabe, se não escreverei contos mais alegres.

domingo, 18 de maio de 2014

E é assim...

Bem... Eu já não venho aqui há séculos. Já lá se foi o tempo em que eu escrevia bons textos, que me faziam ler e reler. É eu adorava ler os meus textos, até me perguntava de onde é que vinha toda aquela inspiração. Acho que só quando se está no fundo do poço, surge a veia artística, aquela veia cheia de fantasia e mistério. Às vezes sinto que não pertenço a este sítio, pergunto-me se vivesse noutro sitio a minha vida seria mais generosa comigo, em vez de hipócrita.
Não posso chamar a isto viver, apenas sobreviver.  

sábado, 27 de julho de 2013

Procuro

Procuro-te na cama, na rua, nos locais por onde passo.
Procuro sentir o teu cheiro, o teu toque nas minhas memórias, o teu encanto. 
Procuro-te sem cessar na esperança de um dia te poder encontrar.
Procuro quebrar todas as barreiras que o destino nos reservou e mostrar aos céus que somos dignos de sermos felizes.
Procuro as respostas no tempo, nas situações que nos surgem.
Procuro saber respirar e aguentar mais um tempo sem te poder abraçar.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Sufocos

Por vezes desejo que isto termine, esta espera que nunca mais acaba.
Os dias passam a correr e nós somos obrigados a adaptar-nos às exigências do tempo. Queremos fazer coisas que não podemos fazer devido ao tempo que está e o tempo passa devagar.
Ai o tempo...
O tempo tem sido amigo, conselheiro mas também tem sido uma desilusão. Vejo-me obrigada a ganhar mais  paciência do que aquela que tenho e sinceramente eu pergunto-me que raio de fonte de paciência é esta pois eu expludo mas depois consigo carregar novamente o fardo sem me queixar. Poderão dizer que é por virar frangos durante anos (isto é uma metáfora), pois eu aprendi sempre através da porrada que a minha vida me tem dado.
Um político que rouba milhões de pessoas não vai preso, nem lhe é dito que faz plágios dos trabalhos dos outros, mas uma pessoa que ajuda o outro já é considerado um criminoso porque o seu superior assim o diz. Este país está a ser governado por uma cambada de idiotas e na verdade o maior burro é o povo que vota neles. Estou cansada de não poder fazer o que mais gosto só porque Fulano, Beltrano e Jorge assim o decidiram, como se fossem Deus Nosso Senhor Jesus Cristo.
Ai a minha vida e a santa da minha rica paciência.
Se eu tivesse o poder de mudar as coisas, aqueles que me fizeram mal durante a vida inteira estariam agora mesmo a ver a vida aos quadradinhos para aprenderem a não se meterem na vida dos outros. E... se não for pedir muito, estariam a passar por aquilo que me fizeram pelo menos 3 vezes pior. Sinceramente...
Porque será que as pessoas só gostam de falar mal dos outros e não se vem ao espelho primeiro?
Porque será que os pais gostam mais de um filho do que do outro?
Porque será que as pessoas só se sentem felizes a magoarem o próximo?
Estas e outras perguntas não me saem da cabeça mas eu sei que um dia terei a resposta que preciso.

domingo, 14 de outubro de 2012

Para ti

Naquele dia de inverno procurei afastar-me da rotina.
Andei sem rumo pelas calçadas da cidade apenas dizendo aos meus pés "levem-me para onde quizerem".
Passei por ruas que não me consigo lembrar, vi montras enquanto ouvia música no meu ipod, e decidi ir para fora. Fui para o pontão ver os barcos.
A maré tinha subido, os barcos baloiçavam com o vento e com a ondulação da água, no entanto eu não conseguia deixar de pensar em ti.
Eu não conseguia parar de ouvir aquela música que me faz chorar sempre que a oiço, pois é assim que me sinto e não consigo fazer nada para mudar isso.
O céu ficou negro e pouco depois começou a chover. Nem quis saber se chovia, eu só te via à minha frente.
Desejei que estivesses ali comigo, desejei sentir o teu toque, o teu calor, os teus lábios...
Tirei um caderno e comecei a escrever-te este texto, pois apesar de não te ter ao meu lado, eu sei que um dia o lerás.
Escrever é uma forma de te trazer até mim, de reviver os bons momentos, voltar a ouvir conversas, sentir os teus lábios nos meus, o toque das tuas mãos na minha pele...
Fiquei por ali algum tempo a contemplar as nossas fotografias e videos, as nossas memórias.
No momento em que me fui embora apareceu um homem muito parecido contigo, a mesma estrutura fisica, o cabelo, a t-shirt branca, mas não eras tu.
Naquele momento fiquei cheia de esperanças que tivesse chegado de vez o dia que tanto espero.
Terá sido um sinal?

P.S.: Amo-te!

A Noite

A noite é misteriosa, inquietante, cheia de sons que marcam o compasso do tempo lentamente.
Escuto os sons atentamente, ao longe oiço vozes de crianças, adultos a sorrir e a conversar, mas o som que predomina é o som dos carros. Os carros passam a toda a hora.
O vento toca docemente na minha pele, é suave e quente à sua passagem mas por vezes revoltasse e fica frio, gélido e severo.
As árvores são o aconchego perfeito, tapam-me, cobrem-me com os seus ramos cheios de folhas que caiem com o vento. Estão secas tal como a minha alma quando tento escrever.
O céu é belo, tão belo que parece coberto de diamantes, safiras e rubis. Levanto a minha mão numa tentativa inutil de tentar tocar nas estrelas, de sentir o seu calor, a sua textura. Fecho os olhos e na minha mente consigo tocar, é pequena e muito quente, queima a mão.
Os aviões avançam no céu, tocam as nuvens e as estrelas, quem me dera saber voar.
Voar para longe daqui e seguir em frente com o que realmente importa.
Voar para estar com quem me ama, voar para ser feliz.
Porque nesta noite o que existe é o silêncio e todo o resto é a solidão.