Por vezes sinto que tudo isto não passa de um sonho e que vou acordar para a realidade, mas a verdade é que o sonho é a própria realidade.

sexta-feira, 5 de março de 2010

A Queda de um Anjo


Nem sempre tudo o que parece é, e que o diga Sophie que desde cedo quis conhecer o seu passado.
Decorria o ano 1876, o ano que todos da família de Sophie esperavam tão arduamente como quem espera que aconteça um milagre. O milagre era o regresso do pai de Sophie que voltava de Áustria após 4 anos fora do seu país a dar aulas de música na melhor escola de Áustria.
A menina sonhou muito com o regresso do pai e eis que o seu sonho se realizou.
O dia estava ameno, o vento que batia nos cabelos de Sophie demonstravam todos os seus tons, ela era loira, de olhos azuis como o céu nos dias de verão, de pele clara (quase pálida) e as maçãs das suas bochechas estavam sempre coradas.
O pai de Sophie chegou a Londres de barco às 11:00 da manhã do dia 14 de Julho e assim que os seus olhos se cruzaram um com o outro, foi como se não estivesse mais ninguém no porto, apenas eles os dois a sorrirem um para o outro e a chorarem devido ao seu reencontro tão esperado por ambos.
Marc (pai de Sophie) partiu para Áustria quando esta tinha apenas 6 meses. A menina sabia de histórias acerca do pai, através de histórias que a mãe e o irmão mais velho lhe contavam. Eles só se conheciam através de fotografias.
Marc era professor de violino e de piano, foi músico num grupo famoso que terminou quando os elementos decidiram partir para a aventura e dar a conhecer a arte da música a outros cantos do Mundo.
Com o toque das suas mãos, a menina viu que não teria de se preocupar mais, pois o seu pai era como um porto seguro para as suas tristezas e alegrias, um ombro amigo onde ela pudesse chorar e não ser incriminada por isso.
A família de Sophie estava junta novamente.
A alegria era notória no sorriso dela, os olhos tinham sempre um novo brilho quando estava na presença do pai. Marc dizia que a filha era a menina dos olhos dele, aliás os olhos dela eram idênticos aos de Marc.
A família era afortunada e era uma das mais queridas pela corte, mas nem todos gostavam deles.
Ciumes e intrigas foram uma das bases para conspirações, e o dinheiro dos Spark era muito bem vindo.
A família real tinha uma grande admiração pela família Spark e sobretudo pela sua arte.
O tempo parecia que avisava a menina de que algo se passava de errado. Ela vivia atrás de sinais disto e daquilo e subitamente lembrou-se de algo que uma vizinha lhe tinha dito um ano depois do regresso do pai:
- Sophie eu sei que ainda és muito pequena, mas há algo de que necessitas de saber. Tu tens um poder em ti e tu irás conseguir resolver vários mistérios que estão para acontecer.
Sophie não quis acreditar nisto, mas num dos jantares com a família real, ela começou a aperceber-se de que algo não estava bem. Existiam olhares de "cortar à faca" que eram lançados para o seu pai, mas quando este olhava para essa pessoa, era como se não se passasse nada.
Sophie começou a ficar cada vez mais alerta.
A cada dia que passava o céu ia ficando cada vez mais negro, era como se toda a alegria do Mundo tivesse sido sugada.
As ruas tornaram-se escuras e frias, como se todos desconfiassem de cada um.
O ambiente em casa tornou-se pesado. Chegavam cartas anónimas e bilhetes a marcar encontros que afinal nunca chegavam a existir e os pais de Sophie não sabiam o que fazer para descobrir qual a sua origem, visto serem assinadas sempre pela mesma pessoa e não haver registos na cidade com aquele nome. Porém Sophie não era burra e parva, ela era a mais esperta e inteligente daquela casa. Ela ouvia todas as noites "na sombra" as lamentações da mãe e as preocupações do pai.
Rodrigo (irmão de Sophie) adoentou sem razão aparente e nenhum médico conseguiu descobrir de onde apareceu o veneno de cobra, visto ele não ter nenhuma mordedela. Rodrigo não conseguiu suportar e faleceu.
Sophie, os pais e os criados da casa não conseguiam parar de chorar um dia que fosse.
Passaram-se dois anos.
As cartas da tal pessoa anónima começaram a ser poucas, só chegavam de vez em quando.
Marc enlouqueceu. A dor da perda do filho foi enorme e também a sua esposa adoentou sem razão aparente. Os médicos diziam que era uma depressão devido à perda do filho, mas Sophie sabia que não era só isso.
Por vezes os mensageiros do Rei iam ver como estava Danielle (mãe de Sophie), esta reparou que havia ali alguém que não devia estar em sua casa, não por ela não gostar da pessoa, mas sim por ela ter a certeza de ter sido quem envenenou o irmão e que a pessoa misteriosa era nada mais nada menos que o tal homem que olhou com um olhar cruel em direcção ao pai naquele jantar com a corte.
Sophie não sabia o que fazer para alertar o pai, sobre o que se estava a passar.
A mãe faleceu e com a sua morte Marc deixou de conseguir comer.
Ele olhava para Sophie e pedia-lhe sempre desculpas por não ser a pessoa forte com que ela sempre sonhara. Ela dizia que não fazia mal pois ela sabia que também os homens têm fraquezas e que também têm sentimentos, apesar de muitos devido a serem tão orgulhosos não se darem ao trabalho de aceitar quando estão errados.
Marc não aguentou e faleceu.
Sophie ficou sozinha no Mundo, com apenas um casarão cheio de objectos que para ela já não tinham qualquer valor.
As cartas que antes apareciam pararam.
Passaram-se 10 anos após a morte de Marc.
Sophie com 20 anos tornou-se numa mulher de armas. Durante os últimos 10 anos ela formou-se em artes marciais não por querer, mas sim por uma necessidade de força maior.
O assassino do irmão e da mãe ainda estava a monte e ela prometeu a ela própria de que iria conseguir vingar a morte de ambos.
Voltou à casa onde nasceu e ali estava ela como a tinha deixado.
A primeira coisa que ela fez foi ver a caixa de correio, mas nada.
O Hall de entrada estava cheio de pó, o que contribuiu para que ela soubesse que fora ali alguém. Haviam marcas de sapatos por todo o Hall, marcas essas que não estavam lá quando ela fora para fora do país.
Ela abriu a porta, entrou e sentiu que estava ali alguém. Continuou a andar, sempre com muita precaução até que viu os olhos que lhe seguiram durante toda a vida dela, desde aquele jantar de alguns anos atrás.
Ei-lo o monstro que lhe roubou todas as suas alegrias.
Joseph tinha uma cobra e uma declaração com ele. Sophie conseguiu perceber tudo nesse preciso momento.
A sua família fora a que tinha mais poder monetário e alguma parte desse dinheiro era para Marc construir uma academia de artes, mas nunca conseguiu terminar a construção.
Joseph encurralou Sophie com a serpente e obrigou-a a assinar a declaração onde dizia que devido a problemas psíquicos, Sophie deveria dar a Joseph o poder de controlar as suas finanças. Sophie era tudo menos cega e como tal conseguiu persuadir Joseph a entregar-lhe a declaração para que ela a assinasse na secretária.
Joseph aceitou e sempre com a serpente a assoprar para Sophie, ele não se apercebeu do que ela estava prestes a fazer.
Sophie lembrou-se do que Marc lhe dissera antes de enlouquecer:
- Filha se algo acontecer, quero que saibas que dentro da gaveta da secretária existe um fundo falso. É só levantares e encontrarás algo que te poderá salvar a vida.
Ela sentou-se foi à gaveta tirou de lá tinta, foi à procura da pena que o pai usava e conseguiu abrir o fundo falso da gaveta.
Lá dentro estava um punhal com uma frase escrita que dizia "A Queda de um Anjo".
Sophie pegou no punhal, degolou a serpente e conseguiu apanhar Joseph. O monstro agora já não a olhava como antes, agora olhava-lhe com terror. Sophie disse-lhe "Eu sou aquilo que crias-te, eu sou o teu maior pesadelo", e nisto ela pegou na cabeça da cobra e conseguiu encravar os dentes desta no pescoço do homem que antes fora seu mestre.
Joseph morreu, e com ele fora todo o mal que aconteceu naquela casa.
O céu voltou a brilhar, não como antes, mas com um brilho superior.
Toda a escuridão se fora embora, os assassinatos deixaram de ser comuns e Sophie apenas dizia que a razão para toda aquela paz era o facto de um anjo ter caído do céu e ter vindo à terra para ajudar a acabar com toda aquela angustia.

6 comentários:

O mundo segundo eu disse...

Ena,ena...mas que história uhm? Gostei muito de a ler. Bem tu devias começar a fazer mais umas destas. Sophie mostrou muita coragem. Todas nós mulheres deveriamos de ter uma Sophie dentro de nós.
Continua mana, eu amei ler.

Anónimo disse...

1,2...

1,2...

experiência

Anónimo disse...

Som.

Som.

Anónimo disse...

Genial! Brilhante, Gisela.
O que tu escreveste aqui é simplesmente wow.
E reconheço todo o trabalho envolvido.
Acho que fazes muito bem em escrever e acho ainda melhor que nos mostres estes maravilhosos enredos!

Continua a usar a cueca azul, é ela que te permite estes momentos de criatividade.
**

Gisela disse...

Bem maninha isto é que foi.
Quando dei por mim já o tinha todo escrito.
Isto é que foi ter ideias.
Ainda bem que gostaste.

Gisela disse...

Hello my best!!! XD
Obrigado pelo teu comentário.
Eu disse-te que irias gostar, nunca pensei é que fosse tanto. Hehehehe XD
Sempre que eu escrever mais histórias com estes enredos todos eu digo-te.
XD