Por vezes sinto que tudo isto não passa de um sonho e que vou acordar para a realidade, mas a verdade é que o sonho é a própria realidade.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Sonho...

O tempo passa por mim avisando-me que as coisas ficam registadas no tempo, uma barra cronológica de acontecimentos uns importantes, outros menos, mas que nos moldaram e nos moldam ao que somos hoje.
Perdida no tempo percorro entre vales distantes da minha memória, onde o vento doce toca na minha pele suavemente. Fecho os meus olhos na esperança de puder ir atrás no tempo, não para o corrigir, apenas para voltar a ver o teu rosto diante de mim e poder trazer-te comigo para o presente.
Os dias passam a correr e tu ali continuas deitado naquela cama que me transmite uma mistura de sentimentos, incertezas, certezas, esperanças... como é injusto.
Olho para o teu rosto tentando visualizar-te naquela cama, onde dormes profundamente durante meses. Não consigo acreditar que foi ali que foste parar depois de tudo o que nós vivemos os dois.
Pego numa fotografia tua, dou-te um beijo e desenho todos os teus contornos com o meu dedo. As fotografias não conseguem igualar a tua beleza por inteiro, apenas a tua imagem do momento.
Falo contigo através daquela imagem, a imagem que te imortalizou quando te encontrei. Lembras-te?
Depois de tanto sonhar contigo e de ir à tua procura, decidi por fim escrever-te.
Escrevi-te uma carta ao luar usando apenas velas para conseguir ler o que ia escrevendo no meio de lágrimas.
Ao longo da carta perguntei-me como é que irias reagir ao lê-la, será que irias conseguir recordar aquele almoço cheio de risos e brincadeiras?
Irias recordar o quão importante és para mim e o quão importante sou para ti?
Hoje estás comigo no meio da tua inconsciência que te impossibilita de saíres daquela cama. Pergunto, porquê a ti? Porquê a nós?
Todos os dias penso em ti, de como estarás. Apenas temos um oceano a nos separar, mas o que é que isso interessa?
O amor é assim mesmo, não existem barreiras, apenas obstáculos que nós humanos criamos por defesa.
Observo os aviões todas as noites e pergunto-lhes "Quando é que me levas contigo?". Quero ver-te, preciso de ver-te, tocar na tua pele, dar-te um beijinho na testa ou nas tuas bochechas. Quero sentir que ali estás realmente e que me sentes, não como antes mas mais intensamente.
Não te quero ali, até porque ali não é o lugar certo para os anjos. Quero-te comigo, com os teus amigos, com a tua vida para a frente.

Acordei silenciosamente do meu sono profundo. É normal sonhar contigo, mas não assim desta forma.
Ainda sinto o doce dos teus lábios nos meus, o meu coração aos saltos...
Sonhar contigo é ter-te sem te ter, durante um simples momento.

sábado, 3 de setembro de 2011

Estrela Cadente

A noite chegara docemente naquela noite de Verão.
O céu tingiu-se de várias cores e no meu horizonte, surgiram as luzes daquela cidade por mim já tão conhecida pelo passar dos anos.
Sentia-me exausta com tudo o que vivia. Uma lágrima percorreu o meu rosto, era demais para mim ver toda aquela dor, a minha dor...
Sentei-me naquele chão frio, desejando estar noutro sitio, mas o meu lugar era ali.
Percorri todos os caminhos da minha memória tentando lembrar-me de todos aqueles momentos em que pude viver e sentir que afinal sempre existia uma razão para continuar em frente.
Sorri para mim ao lembrar-me de momentos não esquecidos, em que conseguia sentir o meu sorriso estampado na minha cara e não as lágrimas das tragédias.
À minha frente surgiu o belo Santuário que com a sua graça me concebia visionar toda a sua beleza e o seu explendor como se tivesse um mar de estrelas a iluminar o seu caminho.
A cidade por mim já conhecida parecia que me saudava dando-me a certeza de que esta seria uma noite das mais especiais que iria ter.
Coloquei as minhas mãos no chão frio para sentir a sua textura, o seu cheiro e assim trazer comigo um pouco daquele paraíso natural.
Pensei no que gostaria que acontecesse daqui em diante, nas mudanças que gostaria que surgissem na minha vida... Ai como tudo seria tão diferente...
A vida é mesmo cheia de incertezas.
Observei o céu, as estrelas formavam formas naquele mar negro.
A ursa maior vista dali parece enorme e o céu um autentico oceano que se funde com a terra.
Estrelas cadentes começaram a surgir diante de mim, formando um rasto por onde passavam e depois nada mais.
Olhei para o sitio onde uma acabara de passar, o meu coração estava prestes a saltar-me pelo peito. E se?...
Pedi-lhe que me concretizasse um desejo.
Uma chuva de estrelas surgiu ao longo da noite transformando-a numa das mais belas.

Enjoy...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Uma Breve Revisão

Os dias passam e tudo parece que foi um sonho que ficou para trás. Por vezes pergunto-me se tudo isto é mesmo real. Parei no tempo.
Tento situar-me o melhor que posso adaptando-me a toda esta rotina diária que me desgasta o corpo e a alma de forma devoraz.
Parece que a minha vida parou em 2010. Ainda tenho dificuldades em escrever uma data.
Toda a minha vida mudou desde que conheci aqueles dois canalhas. Primeiro o conhecimento, depois a tempestade, as lutas e as conquistas, os enganos que me feriram como espadas que cortam tudo à sua passagem e a partir daí a dolorosa recuperação a que fui forçada a fazer sozinha.
As fotografias que me pediam sem eu saber qual o seu objectivo. Eram tantas que para mim aquilo tudo tornou-se absurdo. Rios e rios de tintas e mares de folhas nesta enorme encruzilhada.
O tempo foi passando mas a dor teimava a continuar matar-me e levar-me consigo para a profundeza das trevas.
Tudo me era desconhecido excepto a chuva.
A chuva confundia todas as pessoas que por mim passavam. Eu chorava e a chuva limpava-me o rosto com as suas gotas delicadas e cheias de sabedoria. Ninguém precisava de saber que eu chorava. Apenas eu e a chuva sabíamos. Dançámos juntas e juntas formamos as tempestades até ao dia em que tudo acabou.
O sol rompeu por entre as nuvens e disse que também queria estar presente e assim permaneceu junto à chuva.
O que antes parecia absurdo começou a ter um pouco de sentido.
As coisas com aqueles dois canalhas mudaram drasticamente para nossa felicidade. Falharam o objectivo deles e agora não sabem para onde se devem virar.
O destino fez das suas e hoje estou feliz.
Sinto-me vingada, mas não totalmente.
Todos os que nos fizeram mal, já estão a pagar com juros, mas falta uma coisa... Vingança? Eu não chamo vingança a isto, chamo-lhe destino.
Quem semeia ventos colhe tempestades. Eles semearam muitos ventos e agora chegaram as tempestades. Eis as consequencias de quem brincou com o fogo. Brincaram, queimaram-se. Tão simples quanto isso.
Quero que tudo isto acabe e que não volte mais, pois tudo o que começa termina da mesma forma que nascemos e depois caminhamos para a morte. Tudo acaba e o vento leva.

sábado, 9 de julho de 2011

Sob Carris

A vida é mesmo assim
Tudo não passam de carris
Tudo não passa de um simples sim
Mesmo quando não sorris

O carris por onde passa o comboio
É como o carris por onde os meus pés pisam
E se afirmam para não caírem no rio
Um rio cheio de seres que me olham

Quem diria que isto teria um fim
A chuva terminou mas
O ar ainda está húmido devido a toda esta luta sem fim
No céu onde se juntaram mais almas

Percorri sem destino as curvas
Daquele carris sem ver o seu verdadeiro caminho
Tendo apenas as trevas
Como minha companheira naquele remoinho

Um remoinho que me estava destinado
E no meio de toda aquela desgraça
Apenas alguém abençoado
Me poderia salvar de toda aquela azafama

A salvação foi o carris por mim escolhido
Que no meio de todos
Foi o carris da verdade

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Se fossi...

Se fossi fuoco, accendrei il tuo cuore
Se fossi vento, accerezzerei la tu pelle
Se fossi acqua, sazierei la tua sete
Se fossi Dio, ascultarei la tua preghiera
Se fossi papa, ti darei pace
Se fossi imperatrice, ti darei la mia vita
Se fossi morte, darei la tua vita di indietro
Se fosse vita, sarei molto bella
Se fossi Gisela, como sono e fui
Io sarei la stessa persona che tu connosci

domingo, 15 de maio de 2011

Sem Sentido

Respirei fundo na expectativa do que se iria passar dentro de poucos instantes.
Abriste os olhos, estavam brilhantes como a água. Sorriste...
Desejei poder prolongar aquele contacto mas tudo mudou.
Senti que tudo fora em vão apesar de todo o nosso esforço. O homem ganancioso sempre fez olhos ao que não é seu e ali ele voltou a fazê-lo. Como eu desejei que tudo mudasse, o céu, as horas, o tempo...
Se pudesse voltar atrás apenas faria uma coisa fugia contigo na altura certa, na hora em que ouvisse todos os planos que aquela minha família tinha para mim. Jamais iria consentir com o que nos fizeram, mas o que podemos nós fazer contra o destino?
A vida é mesmo assim, prega-nos partidas quando nós menos esperamos, dá-nos as alegrias e tira-as de nós com a outra mão, oferecendo depois a tristeza.
Por vezes nem sei o que sinto com o tamanho das chapadas provocadas pelo destino, não sei se deva chorar ou sorrir, não sei se deva virar à direita ou se devo ir para um outro caminho.
Por vezes sinto-me perdida como se estivesse encurralada entre quatro paredes que teimam em me esmagar e sufocar perante todo o meu sofrimento.
Nada tem sentido, tudo fica nulo. O que é aquele sorriso? O sorriso desvanece e apenas se vê a lágrima que escorre pela pele.
Tudo volta a ser como dantes. Sem sentido.